Data chama atenção para a importância do diagnóstico precoce, do tratamento adequado e do combate à automedicação.
(Foto: Magnific)
Mais conhecido nos últimos anos e frequentemente debatido nas redes sociais, o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) afeta a capacidade de concentração, organização e controle dos impulsos. Embora o tema tenha ganhado visibilidade, especialistas alertam que o diagnóstico e o tratamento devem sempre ocorrer com acompanhamento profissional. No Dia Mundial de Conscientização do TDAH, celebrado em 13 de julho, a data reforça a importância da informação qualificada sobre uma condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.
O TDAH é causado por alterações nos níveis de dopamina e noradrenalina, substâncias responsáveis pela comunicação entre os neurônios. Esse desequilíbrio compromete funções relacionadas à atenção, ao planejamento de tarefas, ao controle dos impulsos e à regulação das emoções.
Um estudo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), baseado na análise de pesquisas nacionais e internacionais, estimou uma prevalência global de aproximadamente 8% entre crianças e adolescentes. No Brasil, o mesmo levantamento identificou 229.872 atendimentos ambulatoriais de crianças diagnosticadas com o transtorno apenas em 2022, evidenciando o impacto da condição sobre as famílias e os serviços de saúde.
O farmacêutico da rede Santo Remédio, Alessandro Braga, destaca que o aumento da visibilidade do transtorno trouxe benefícios, como maior conscientização, mas também elevou os riscos da automedicação.
Segundo ele, os medicamentos mais utilizados atuam justamente sobre as substâncias químicas afetadas pelo transtorno. O objetivo é melhorar a capacidade de concentração, reduzir a impulsividade e favorecer a execução das atividades do dia a dia.
A dose e a frequência de uso variam conforme as características de cada paciente.
“O médico define a posologia de acordo com fatores como idade, peso, sintomas apresentados e resposta ao tratamento. Não existe uma dose padrão que sirva para todos”, ressalta Braga.
Os medicamentos costumam ser administrados pela manhã, uma ou duas vezes ao dia, dependendo da formulação prescrita. Nas versões de liberação prolongada, os efeitos podem durar até 12 horas, permitindo que o paciente mantenha a atenção durante atividades escolares, acadêmicas ou profissionais, sem necessidade de novas doses ao longo do dia.
Segundo o farmacêutico, ajustes são comuns nos primeiros meses de tratamento.
“É normal que o médico faça adaptações até encontrar o equilíbrio entre os benefícios terapêuticos e a tolerância do paciente”, afirma.
O uso de medicamentos para TDAH exige receita médica e acompanhamento periódico. No Brasil, os principais fármacos utilizados no tratamento estão sujeitos às regras da Portaria SVS/MS nº 344/98, do Ministério da Saúde, que estabelece controle especial para a dispensação desses medicamentos.
Braga alerta que o uso inadequado pode provocar efeitos adversos, como insônia, perda de apetite, aumento da pressão arterial e, em situações mais graves, complicações cardiovasculares.
O diagnóstico do TDAH e a prescrição dos medicamentos são realizados por especialistas, como psiquiatras e neuropediatras, a partir de uma avaliação clínica detalhada. Quando indicado, o tratamento medicamentoso faz parte de uma abordagem mais ampla, que pode incluir terapia comportamental, orientação familiar e estratégias de adaptação à rotina escolar, profissional e social.