Alterações na forma de caminhar podem estar por trás de dores nos pés, joelhos, quadris e coluna. A avaliação biomecânica e as palmilhas personalizadas ajudam a identificar a origem do problema e melhorar a qualidade de vida.
Raio X dos pés (Foto: Divulgação)
Dores nos pés, joelhos, quadris e coluna nem sempre têm origem na região onde os sintomas aparecem. Em muitos casos, a forma como a pessoa pisa influencia o alinhamento do corpo, sobrecarrega articulações e favorece o surgimento de dores e lesões. Identificar essas alterações é o primeiro passo para um tratamento direcionado às necessidades de cada paciente.
A percepção desse padrão entre pacientes de diferentes idades levou à criação da Sua Pisada, empresa especializada em avaliação biomecânica por baropodometria e na confecção de palmilhas funcionais e esportivas personalizadas. A fisioterapeuta Mônica Fernandes Mira de Assumpção, responsável técnica da clínica e especialista em Dor Crônica, conta que a iniciativa surgiu durante o atendimento a pessoas com queixas recorrentes de dores.
O principal recurso utilizado pela clínica é a baropodometria, exame computadorizado realizado em uma plataforma com milhares de sensores de pressão. Durante a avaliação, o equipamento registra como o peso do corpo é distribuído sobre os pés, identifica o tipo de pisada, que pode ser pronada, supinada ou neutra, e analisa o padrão da marcha. As informações obtidas permitem identificar alterações biomecânicas relacionadas às dores e orientam um tratamento mais preciso.
Mônica Fernandes Mira de Assumpção, responsável técnica e fisioterapeuta (Foto: Divulgação)
A avaliação também auxilia em situações específicas. Em pacientes diabéticos, é possível visualizar as regiões com maior probabilidade de formação de calosidades, reduzindo o risco de lesões. Entre corredores e praticantes de atividades físicas, a análise da distribuição das cargas durante a corrida contribui para potencializar os treinos e reduzir o risco de processos inflamatórios.
De acordo com Mônica, o exame é indicado para pessoas que sentem dores nos pés, tornozelos, joelhos ou coluna, além de pacientes com fascite plantar, esporão de calcâneo, crianças com pé plano, diabéticos com histórico de lesões e atletas que apresentam dores frequentes. Ela ressalta que a avaliação não possui contraindicações e pode ser realizada por qualquer pessoa que queira investigar se a pisada está relacionada aos sintomas.
O atendimento começa com uma avaliação postural e funcional, seguida pela baropodometria. Em seguida, é elaborado um relatório em 3D com as medidas do paciente, que servirá de base para a confecção da palmilha personalizada. Produzida de forma exclusiva para cada pessoa, ela tem como objetivo redistribuir as cargas sobre os pés, melhorar o alinhamento corporal e proporcionar mais conforto durante a caminhada. Antes da entrega, o dispositivo ainda passa por um teste no próprio calçado para garantir encaixe adequado e conforto durante o uso.
Esse processo, explica a fisioterapeuta, é o que diferencia uma palmilha personalizada dos modelos vendidos prontos, já que o tratamento é desenvolvido de acordo com as características de cada paciente.
Avaliação da pisada detecta alterações que podem causar dores e desconfortos (Foto: Divulgação)
Os benefícios vão além do alívio das dores. Muitos pacientes relatam melhora no equilíbrio, mais estabilidade para caminhar e conseguem retomar atividades que haviam deixado de lado por causa do desconforto. Entre corredores, também são frequentes os relatos de redução das crises inflamatórias durante os treinamentos.
Uma das histórias que mais marcou a equipe foi a de uma paciente que sofreu um acidente de motocicleta e ficou com uma diferença no comprimento das pernas. A alteração provocava desequilíbrio durante a caminhada, dores constantes e dificuldade para andar.