Estudo que analisou exames de 761 paulistanos aponta uma relação bidirecional entre as duas condições. Tratamento de reposição hormonal ajudou a aumentar o tempo e a qualidade do sono
Pessoas com hipotireoidismo apresentam quadros mais frequentes e graves de apneia obstrutiva do sono (AOS) – distúrbio em que as vias respiratórias colapsam repetidamente durante a noite, interrompendo a respiração e causando pequenos despertares. A conclusão é de um estudo publicado em maio na revista Sleep. De acordo com os resultados, pacientes que fazem reposição hormonal para tratar a disfunção da tireoide conseguem dormir mais e alcançam períodos mais longos de sono profundo.
A pesquisa foi financiada pela FAPESP e conduzida na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com participantes do Estudo Epidemiológico do Sono de São Paulo (EPISONO). Em sua quarta edição, com dados coletados entre 2018 e 2019, esse grande projeto de base populacional mapeou a qualidade do sono de uma amostra representativa de moradores da capital paulista.
A partir do banco de dados gerado pelo EPISONO 2018, os pesquisadores analisaram as informações de 761 paulistanos que passaram por exames laboratoriais e pela polissonografia, exame padrão-ouro que monitora diferentes parâmetros do sono durante uma noite inteira. O hipotireoidismo foi identificado em 12,6% dos participantes e, entre eles, quase metade (49,5%) apresentava apneia obstrutiva do sono.
“Esperávamos que a prevalência de apneia do sono fosse considerável entre pessoas com hipotireoidismo, mas o resultado foi mais elevado do que imaginávamos. Na literatura, os estudos costumam apontar valores variados, em média entre 30% e 40%, e nós encontramos praticamente metade dos participantes com as duas condições”, afirma a pesquisadora Ellen Maria Sampaio Xerfan, pós-doutoranda no Departamento de Psicobiologia da Escola Paulista de Medicina (EPM-Unifesp) e primeira autora do estudo.