O sono é uma das principais formas de recuperação do organismo. Durante esse período, o corpo realiza processos importantes para a memória, a aprendizagem, a regulação hormonal e o funcionamento do sistema imunológico.
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Em uma época em que estar ocupado virou quase um sinal de sucesso, descansar pode parecer perda de tempo. A agenda cheia, as notificações constantes e a pressão para produzir mais fazem com que pausas sejam frequentemente adiadas. Para muitas pessoas, parar por alguns minutos em meio à rotina do dia parece uma tarefa difícil. No entanto, incorporar hábitos de autocuidado à rotina deixou de ser apenas uma escolha e passou a ser uma necessidade para preservar o equilíbrio físico, mental e emocional. Momentos de pausa podem contribuir para melhorar o humor, aumentar a disposição e fortalecer a autoestima.
O problema é que o descanso ainda pode vir acompanhado de culpa. Segundo a neurologista Jackeline Barbosa, mesmo com a maior divulgação sobre a importância do autocuidado, muitas pessoas continuam priorizando uma rotina multitarefa em vez de reservar alguns minutos para si. “O sentimento de culpa é um dos fatores que bloqueiam muitos dos momentos de descanso. Dar conta de todas as demandas e ser multitarefa são ações mais valorizadas do que um tempo para relaxar, meditar ou respirar profundamente, o que intimida aqueles que querem buscar estas ocasiões”, explica a médica. Para ela, conciliar constantemente as exigências pessoais e profissionais pode manter corpo e mente em estado de sobrecarga.
O corpo também precisa de tempo para se recuperar
O sono é uma das principais formas de recuperação do organismo. Durante esse período, o corpo realiza processos importantes para a memória, a aprendizagem, a regulação hormonal e o funcionamento do sistema imunológico. Para crianças, esse momento é ainda mais relevante. Um sono de boa qualidade não é importante apenas para recuperar as energias e descansar, é também durante o sono que as crianças solidificam seu aprendizado. De acordo com a National Sleep Foundation, transtornos como déficit de atenção e hiperatividade estão ligados à qualidade do sono. Estudos indicam que cerca de 65% das crianças com transtorno de aprendizado têm uma qualidade de sono ruim. Outro importante dado, é que durante o sono é liberado o hormônio GH, responsável pelo crescimento, sendo um momento sagrado também para o desenvolvimento físico.
Mas descansar não significa apenas dormir. Quem pratica exercícios, por exemplo, precisa respeitar intervalos de recuperação para que o organismo consiga reparar os tecidos e se adaptar aos estímulos do treinamento. A combinação entre atividade física, alimentação adequada e descanso é essencial para evitar lesões e manter a disposição.
“Cada corpo responde de uma forma e tem o treino personalizado, desenvolvido por um profissional, de acordo com cada objetivo é respeitar seu ritmo individual. O verdadeiro progresso acontece quando equilibramos treino, nutrição e descanso. Esse é o caminho para manter saúde, estética e performance sempre alinhados”, destaca o personal trainer Anderson André.
Pausa também é cuidado com a mente
Em uma rotina dominada por estímulos, descansar também significa permitir que o cérebro diminua o ritmo. Quando descansamos, memórias são consolidadas, emoções são processadas e mecanismos relacionados ao autocontrole e à tomada de decisões são regulados. Quando esse descanso é insuficiente, a capacidade de lidar com as exigências do cotidiano pode ser prejudicada.
O impacto da sobrecarga também pode aparecer na saúde mental. “A privação de descanso reduz a atividade do córtex pré-frontal, região responsável por funções como planejamento, tomada de decisão e regulação das emoções, enquanto aumenta a reatividade de áreas mais primitivas do cérebro, ligadas ao medo e à irritação”, explica o psicanalista e mestrando em neurociências Adriel Silva.
Na prática, isso pode significar mais irritabilidade, lapsos de memória, dificuldade de concentração e menor tolerância às frustrações. O impacto também aparece nos relacionamentos. “A comunicação se torna muito mais reativa e menos racional, o que afeta tanto relações pessoais quanto ambientes de trabalho e dificulta a socialização como um todo, que é um pilar importante da saúde integral”, alerta Adriel.
Para Jackeline, a sobrecarga contínua também pode comprometer a saúde de maneira mais ampla. “O esgotamento físico e mental interfere em nossas entregas e resultados, mas, principalmente, em nossa saúde. É comum pessoas que estão altamente estressadas, desenvolverem crises de ansiedade, baixa imunidade, entre outras”, esclarece a médica.
Aprender a parar também faz parte da rotina
Transformar o descanso em prioridade não exige abandonar compromissos ou passar o dia sem fazer nada. Pequenas pausas ao longo da rotina já podem representar uma mudança importante. Estabelecer horários regulares para dormir e acordar, reduzir o uso de telas antes de deitar, manter o ambiente de sono confortável e reservar momentos sem trabalho ou outras obrigações são algumas possibilidades. Também é importante reconhecer os sinais de cansaço em vez de esperar que o corpo chegue ao limite.
O autocuidado pode assumir diferentes formas e não precisa seguir uma fórmula pronta. Uma caminhada, alguns minutos de meditação, um chá, um ritual de sono ou até mesmo uma rotina de cuidados pessoais podem funcionar como momentos de desaceleração, desde que façam sentido para cada pessoa.
“Tudo aquilo que te proporciona prazer deve ser inserido em sua rotina. Pessoas que conseguem manter estes hábitos saudáveis e cuidar da saúde têm mais chances de manter a mente equilibrada e o corpo saudável, além de mais disposição para as tarefas diárias. Pense nisso!”, finaliza a médica.