Especialista e consumidora analisam a transição para dietas mais naturais; foco em organização e frescor dos alimentos é a chave para longevidade e disposição
Especialista destaca que a observação dos efeitos dos alimentos no corpo guia o novo perfil do consumidor. (Foto: Junio Matos/A CRÍTICA)
A preocupação com a saúde e com a qualidade do que vai ao prato tem provocado mudanças consistentes nos hábitos alimentares dos brasileiros. Cada vez mais, o consumo passa a ser guiado por critérios como valor nutricional, frescor, procedência dos alimentos e equilíbrio das refeições, refletindo no aumento da procura por frutas, verduras, legumes, proteínas de melhor qualidade e preparações mais leves e naturais.
Segundo a nutricionista Lívia Ribeiro, do Pátio Gourmet, esse movimento está diretamente ligado a uma compreensão mais ampla sobre o papel da alimentação na saúde física e mental.
Esse cenário se reflete na experiência da produtora de conteúdo manauara Ana Beatriz Cova, de 31 anos, que vive um processo de reeducação alimentar iniciado em 2023 e retomado este ano com foco na saúde e na qualidade de vida.
Importância de incentivar escolhas conscientes desde a infância.
Após uma pausa motivada por problemas no joelho, coluna e calcanhar, Ana voltou a reorganizar a alimentação como parte do cuidado com o corpo. “Hoje eu voltei tanto pelo metabolismo quanto pela necessidade de cuidar da minha qualidade de vida e fortalecer a musculatura para não ter as dores que eu sinto.”
De acordo com Lívia Ribeiro, cresce o interesse por frutas, verduras e legumes frescos, além de ingredientes funcionais ricos em fibras, vitaminas e antioxidantes. A nutricionista destaca ainda a valorização de alimentos com menor exposição a agrotóxicos, carnes frescas, peixes bem manejados e proteínas vegetais, que passam a integrar com mais frequência o cardápio semanal.
Essa mudança também aparece no dia a dia da produtora de conteúdo. “Hoje eu consigo sentir a perda de medida, a aparência muda bastante. A gente se sente mais bonita, mais capaz, mais orgulhosa. E no cotidiano eu fico com mais disposição, mais animada”, relata Ana.
Apesar dos benefícios percebidos, manter a constância ainda exige esforço. Para Ana Beatriz, o principal desafio está na organização da rotina alimentar.
“O meu maior desafio é organizar a rotina, deixar as comidas prontas, fazer marmita de almoço e lanches. Isso é o que mais me pega”, admite.
Segundo a nutricionista do Pátio Gourmet, planejar refeições e ter acesso a alimentos de qualidade ajuda a evitar decisões impulsivas, especialmente em uma rotina intensa. “O importante é saber onde encontrar ingredientes confiáveis e opções que respeitem critérios nutricionais, mesmo quando o tempo é curto”, destaca a profissional.
Além da alimentação, Ana passou a trabalhar a relação emocional com a comida, associando o acompanhamento nutricional à terapia.
Recheios proteicos e naturais transformam a tapioca em uma refeição completa.
“Antes eu tinha um comer emocional muito inconsciente. Hoje eu consigo perceber mais. Não é controlar, é fazer escolhas mais conscientes”, explica.
Ela conta que, mesmo fora do planejamento, busca adaptar escolhas. “Se eu estiver na rua, paro, analiso o que estou sentindo e penso no que é melhor pra mim. Dá para adaptar, trocar refrigerante por suco, evitar combo, incluir salada.”
A ideia de que comer melhor é inacessível também é rebatida pela produtora de conteúdo. “Não precisa ser caro. O nutricionista pode montar um plano dentro do seu orçamento. Muitas vezes é falta de organização”, afirma.
A manauara destaca que preparar refeições com antecedência pode facilitar o processo, mas que mesmo quem come fora pode fazer escolhas mais equilibradas. “Nem toda comida de dieta é mais cara. É saber escolher.”
Para a manauara Ana Beatriz Cova, de 31 anos, a reeducação alimentar precisa estar dissociada da obsessão pela magreza e pelo emagrecimento rápido, tendência que, segundo ela, voltou a ganhar força.
“Eu nem uso a palavra emagrecimento. Prefiro perda de peso. Não precisa dessa pressa, dessa busca pela perfeição. É se tratar com carinho”, diz.
Ela reforça a importância de evitar o uso de medicamentos sem prescrição e apostar em mudanças sustentáveis. “Às vezes é simples: se alimentar melhor, se movimentar, caminhar. Cada pessoa é única. O que funciona para um não funciona para outro.”
Segundo Lívia Ribeiro, essa busca por uma alimentação mais leve, funcional e nutritiva vai além de uma tendência pontual e sinaliza uma mudança estrutural no padrão alimentar, baseada em escolhas mais informadas, sustentáveis e conectadas à qualidade de vida.
Esse movimento vem sendo acompanhado por espaços como o Pátio Gourmet, que aposta na oferta de hortifruti selecionado, alimentos frescos, carnes e peixes de qualidade, além de produtos cuidadosamente higienizados. “A proposta é garantir segurança alimentar, variedade e equilíbrio, alinhados às novas demandas do consumidor”, observa a nutricionista.
As opções podem ser encontradas nas lojas, localizadas na avenida Djalma Batista, no bairro Chapada; na avenida Láctea, no conjunto Morada do Sol; e na rua Terezina, em Adrianópolis.