Alerta

A verdade por trás do ‘SkinnyTok’

Como a obsessão pela magreza nas redes sociais afeta jovens em busca de aceitação e os expõe a riscos para a saúde mental e física

Gabrielly Gentil
22/05/2025 às 15:58.
Atualizado em 22/05/2025 às 15:58

(Foto: Freepik)

Nos últimos meses, uma nova e alarmante tendência tem dominado o TikTok: o ‘SkinnyTok’. Através de vídeos curtos e esteticamente minimalistas, a plataforma se tornou um terreno fértil para a promoção de dietas extremas e padrões de corpo excessivamente magros. O que inicialmente parece ser um estilo de vida saudável, na verdade camufla uma obsessão pela magreza e suas consequências devastadoras para a saúde mental e física de jovens em busca de pertencimento.

A psicóloga Maria Antônia, especialista em terapia cognitivo-comportamental, alerta que esse tipo de conteúdo pode reforçar pensamentos destrutivos, como “só vou ser feliz se emagrecer”. “Esse tipo de pensamento, repetido diariamente, molda comportamentos. Muitos adolescentes acabam desenvolvendo ansiedade, baixa autoestima e, em alguns casos, até depressão”, explica.

Maria Antônia é psicóloga com formação em terapia cognitivo comportamental

 Segundo ela, o impacto é silencioso e contínuo. Ao internalizar padrões irreais, o jovem passa a enxergar o próprio corpo como um problema a ser corrigido, e não como algo a ser cuidado com respeito.

Alimentação como armadilha

Do ponto de vista nutricional, as consequências também são graves. O nutricionista Jorge Karam chama atenção para os riscos físicos dessas dietas. “Além de problemas como anemia e deficiências vitamínicas, há um ambiente digital que coloca a magreza acima da saúde e da qualidade de vida”.

Jorge Karam é nutricionista especializado em nutrição clínica e comportamental

 Ele destaca que essas práticas afetam o sistema imunológico, o desempenho físico e cognitivo, além de alterarem a maneira como o jovem se enxerga socialmente.

Transtornos em ascensão

Os transtornos alimentares mais comuns associados ao SkinnyTok são anorexia, bulimia e compulsão alimentar. Mas Maria Antônia destaca que há outros comportamentos preocupantes que ainda não têm diagnóstico clínico, como ortorexia (obsessão por comer “limpo”) e vigorexia (foco excessivo em definição muscular). “Mesmo antes de se tornarem transtornos, esses hábitos já causam sofrimento”, afirma.

Karam reforça que o problema vai além da dieta: está na construção de um ideal de saúde distorcido. “Estar em um ambiente que cultua a magreza muda o que o jovem entende como belo e saudável. Isso cria padrões inalcançáveis que reforçam o ciclo de frustração e insegurança”.

Prevenção e tratamento

Para os especialistas, a educação é o caminho mais eficaz para combater os danos do SkinnyTok. “Precisamos falar abertamente sobre saúde mental, imagem corporal e redes sociais. Isso ajuda os jovens a desenvolverem pensamento crítico sobre o conteúdo que consomem”, defende Maria Antônia.

Na prática clínica, o trabalho envolve o resgate da autoestima e a desconstrução de pensamentos distorcidos. Em casos mais complexos, o tratamento deve envolver psicólogos, nutricionistas e médicos.

Atenção aos sinais

Mudanças nos hábitos alimentares, recusa em participar de refeições, irritabilidade, isolamento, preocupação exagerada com calorias e roupas largas podem ser sinais de alerta. “O mais importante é manter o diálogo aberto, com escuta ativa e sem julgamentos. Isso cria um espaço seguro para o jovem se expressar”, orienta a psicóloga.

Karam complementa: “fiquem atentos à rápida perda de peso, queda de energia e receio de comer na frente dos outros. São sinais de que algo não vai bem”.

No fundo, é sobre pertencimento

Mais do que um desejo por emagrecer, muitos desses jovens estão em busca de pertencimento e validação social. “Eles querem se sentir suficientes, amados e valorizados. E isso, definitivamente, não se encontra em um número na balança”, conclui Maria Antônia.

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