JUSTIÇA

STF retira sigilo de investigação sobre pagamentos de Vorcaro

Decisão de André Mendonça ocorre um dia antes de julgamento que vai analisar pedido de abertura de investigação sobre Alexandre de Moraes

Agência Brasil
14/09/2026 às 13:16.
Atualizado em 14/09/2026 às 13:20

(Foto: Banco Master/Divulgação)

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira (14) o sigilo de um processo que investiga a rede de pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A decisão ocorreu após determinação do presidente da Corte, ministro Edson Fachin.

Mais cedo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) havia se manifestado pela retirada do sigilo que ainda era mantido sobre o processo.

Fachin foi acionado pelo ministro Alexandre de Moraes, que considerou essencial tornar pública a petição sobre os pagamentos de Vorcaro antes do julgamento marcado para esta terça-feira (15). Na sessão, o plenário do STF vai analisar o pedido de abertura de investigação envolvendo Moraes.

Com a decisão, foram retirados os segredos judiciais de 54 linhas de investigação derivadas da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias atribuídas a Vorcaro.

Mensagens entre Vorcaro e Moraes

Entre os materiais que serão analisados pelo STF está um relatório da Polícia Federal (PF) com 52 mensagens que os investigadores afirmam terem sido enviadas por Vorcaro a Moraes.

O conteúdo foi recuperado do celular apreendido do ex-banqueiro e reúne mensagens trocadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que Vorcaro foi preso preventivamente.

Em uma das mensagens, segundo a PF, Vorcaro teria compartilhado com Moraes um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outro trecho, o ex-banqueiro teria buscado informações sobre uma operação da PF que poderia resultar em sua prisão.

As respostas atribuídas a Moraes não foram recuperadas pelos investigadores.

O relatório se tornou público no início de setembro, quando Mendonça, relator do caso Master no STF, também havia retirado o sigilo de parte do material. A medida provocou um confronto entre ministros da Corte.

PGR questionou relatório

A PGR pediu ao Supremo a anulação do relatório da PF, alegando possíveis irregularidades na forma como o material foi produzido. Segundo o órgão, Mendonça não poderia ter autorizado o avanço de investigações envolvendo um ministro do STF sem comunicar previamente o plenário.

Moraes reagiu e divulgou um documento que classificou como um “relatório de inteligência” da PF. O material apontaria suposto direcionamento das investigações do caso Master por Mendonça, com o objetivo de atingir adversários políticos.

O documento, porém, não possui assinatura nem timbre da Polícia Federal e traz na capa a indicação de que foi produzido como conjectura e “sem valor probatório”.

Moraes também pediu a Fachin a abertura de investigação contra Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

O julgamento desse pedido foi marcado por Fachin para 23 de setembro.

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