Levantamento do IBGE aponta queda nas principais culturas do estado, que tem já tem baixa presença no cenário nacional. Safra do milho deve cair 58% em 2026
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A estimativa de queda de 16,1% na produção agrícola do Amazonas, em 2026, mostra que o setor ainda carece de políticas públicas para o seu fortalecimento, avalia a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea).
Outros fatores, como o clima, o encarecimento de insumos e queda no preço internacional também influenciam a previsão de queda. Com o início do fenômeno climático El Niño, que ocasiona redução de chuvas no Amazonas e seca intensa, o setor agrícola deve ser ainda mais impactado.
“A redução prevista em cereais, leguminosas e oleaginosas para o Amazonas está praticamente no mesmo patamar da queda a nível nacional, em termos de redução de produção de feijão, arroz e milho”, avalia o presidente da Faea, Muni Lourenço.
Além de apontar a queda de 16,1% na produção geral, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado na semana passada, estima quedas no milho (-59,6%); café canephora (-42%); e feijão (-22,4%).
Os alimentos com maior nível de produção em 2025, e muito característicos do Amazonas, também devem sofrer pequenas quedas. A estimativa para a banana, que somou 166.166 toneladas no ano passado, é chegar a 145.637 toneladas em 2026, queda de 12,35%. A mandioca, com 784.795 mil toneladas em 2025 deve retrair 0,16% neste ano, com 783.551 toneladas.
“Isso remete à importância do fortalecimento contínuo de políticas públicas de fomento ao aumento da produção agrícola e de alimentos básicos”, acrescenta o presidenta da Faea. Por outro lado, ele destaca a estimativa positiva na produção da soja, “uma exceção tanto em nível estadual quanto nacional”.
O IBGE aponta que essa cultura deve manter, em 2026, o mesmo nível de produção do ano passado: 35.820 toneladas. O órgão estima aumento, no Amazonas, apenas para o tomate, com aumento previsto de 6,8% (47 toneladas) e laranja, com aumento de 5,6% (3 mil toneladas).
A queda de 59,6% do milho, em 2026, é a que mais chama a atenção no levantamento divulgado pelo IBGE. Em nível nacional, o órgão estima que a primeira safra deve crescer 15,8%, enquanto a segunda safra tem previsão de redução de 5,5%.
“A redução específica na produção de milho, no Amazonas, pode ocorrer principalmente em decorrência dos altos custos de produção, como fertilizantes e insumos, queda nas cotações internacionais e adversidades climáticas que impactam a produtividade, além de dificuldades com regularização fundiária e ambiental”, avalia Muni Lourenço.