Ato

Estudantes e professores se manifestam contra Flávio Bolsonaro e buscam virar votos para Lula

Mobilização em Manaus se soma à diversas manifestações estudantis que vem ocorrendo no Brasil desde o fim do primeiro turno das eleições de 2026

Lucas dos Santos
08/10/2026 às 15:59.
Atualizado em 08/10/2026 às 15:59

(Foto: Nilton Ricardo/A CRÍTICA)

Estudantes e professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) fizeram uma mobilização na manhã desta quinta-feira (8) contra a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), que terminou à frente do presidente Lula (PT) no primeiro turno por pouco mais de 1,8% dos votos. A mobilização em Manaus começou no Setor Sul da Ufam e seguiu pela avenida Beira Rio, no bairro Coroado, e se soma a protestos estudantis nacionais que vêm ocorrendo nessa semana, após o primeiro turno.

A presidente da União Estadual dos Estudantes do Amazonas (UEE-AM), Thaly Duarte, que liderou o ato desta quinta-feira, acredita que a mobilização nas ruas deixa em evidência de que lado está a população e que o objetivo é passar de porta em porta para dizer que a gestão do presidente Lula é responsável por programas como Bolsa Família, Pé-de-Meia, Auxílio Gás e outros projetos sociais para o povo.

“[Estamos] indo virar o voto daqueles que votaram em outros candidatos e convencer quem votou em branco que a nossa alternativa é o presidente Lula. Nós tememos o que já vimos antes no passado. A Ufam passou por momentos de quase não ter condições para pagar terceirizados da limpeza e da segurança. Nós acreditamos que a educação e as universidades devem ser tratadas com seriedade e com investimentos robustos para produzir ciência e pensamento crítico”, disse.

A liderança ressaltou que o projeto de Flávio Bolsonaro simboliza o desmonte da educação, principalmente com a proposta de tirar as universidades federais do Ministério da Educação (MEC) e transferi-las para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), ideia que tem potencial para tirar verbas das instituições.

Para a estudante Letícia Lima, diretora de comunicação da UEE-AM e presidente do Centro Acadêmico de Jornalismo (Cajor) da Ufam, a movimentação busca comover as pessoas tanto nas ruas quanto nas redes sociais a se mobilizar contra um eventual governo de Flávio Bolsonaro que “na nossa visão não traz benefícios para a sociedade como um todo”.

“Nós temos a expectativa que essa mobilização consiga abrir o olhar da população amazonense e brasileira sobre os benefícios e a necessidade do governo do presidente Lula, nossa intenção é conquistar votos, sobretudo das pessoas que não votaram ou votaram nulo”, disse.

Segundo ela, o maior temor de uma gestão de Flávio Bolsonaro na Presidência da República é relativo à perda dos direitos das universidades, das escolas e dos direitos da classe trabalhadora, com “o medo da ausência de transparência, a ausência da democracia, a ausência de políticas públicas para diminuir as desigualdades sociais e a ausência da soberania do nosso país”.

O professor doutor Welton Oda, do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), afirmou que é fundamental que os estudantes se organizem e se manifestem pelo grande risco que o serviço público corre com uma possível vitória de Flávio Bolsonaro, “cuja política é claramente a do estado mínimo”.

“No governo de seu pai, as universidades públicas e o serviço público, de maneira geral, foram atingidos com cortes milionários, redução nas bolsas e na verba da assistência estudantil, mas também com a consequente redução na qualidade da educação oferecida. Mesmo com o Governo Lula e os avanços nas políticas sociais, a Câmara e o Senado constituíram forte obstáculo, reduzindo o orçamento disponível para o Executivo”, lembrou.

O docente exortou a comunidade, no entanto, que esse movimento deveria ter surgido já no primeiro turno, o que talvez tivesse evitado a “desastrosa composição do legislativo e, talvez, o próprio segundo turno. De qualquer modo, enfim a academia saiu da apatia e se move corajosamente”.

Ao final do primeiro turno, o Partido Liberal obteve 121 cadeiras na Câmara dos Deputados e 28 vagas no Senado, a maioria com pautas consideradas extremamente conservadoras e antissociais.

O estudante Lucas Rodrigues, também acadêmico do curso de jornalismo, destacou que o movimento busca ajudar pessoas que estavam indecisas no primeiro turno e virar seus votos a favor do presidente Lula. Em 4 de outubro, mais de 30 milhões de brasileiros não compareceram às urnas.

“Nesse segundo turno, a gente acredita que, além de convencer as pessoas a votarem, a gente quer apresentar as propostas do presidente Lula. Essa manifestação tem como objetivo ajudar as pessoas a entenderem sobre Flávio Bolsonaro e o que ele pode representar para o Brasil na questão de perigos, ataques a instituições, soberania e as políticas propostas”, salientou.

Sem pregar para convertidos

O acadêmico de ciências econômicas Ricardo Miranda, representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e da União da Juventude Socialista (UJS), pontuou que essa manifestação e outras que virão não buscam “pregar para convertidos”, mas conversar com pessoas que não foram votar e se convençam que o melhor projeto para a educação é o do presidente Lula.

“Além disso, obviamente, também é conversar com quem deu voto para o outro lado. A gente precisa convencer que essas pessoas estão votando contra seus próprios direitos, sua própria liberdade, e abrindo espaço para um momento histórico que a gente não quer mais, que já passou. A gente não quer retroceder”, disse.

Segundo ele, a experiência mostra que a política defendida por Flávio Bolsonaro é nociva para as universidades públicas, lembrando que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) interviu na eleição de reitores e cortou bilhões da educação, comprometendo bolsas de iniciação científica, mestrado, doutorado e assistência estudantil.

Mudança e cortes

"Essa manifestação, o nosso vira-voto, ela serve justamente para que a gente possa dialogar com as pessoas que se isentaram de votar ou que votaram nulo e em branco, e também para aqueles que votaram em outros candidatos. Acredito sim que, com uma conversa franca, a gente consiga virar esses votos para o presidente Lula. O nosso maior temor está na política do tesouraço, que é uma proposta do governo do Flávio Bolsonaro, com corte de gastos na educação que varia de R$ 190 bilhões a R$ 200 bilhões, e também com a transferência das universidades públicas, além de mexer com o Fundeb e o piso salarial dos professores, aquilo que nós com futuros docentes somos completamente contra. Essas mobilizações servem justamente para a gente ter essa valorização dos professores, para um ensino de qualidade e para aqueles que mais precisam", afirma Beatriz Ramos, estudante de licenciatura em história

Assuntos
Compartilhar
Sobre o Portal A Crítica
No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.
Portal A Crítica - Empresa de Jornais Calderaro LTDA.© Copyright 2026Todos direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por