Mais da metade dos vereadores serão candidatos no pleito de 2026, mas Mesa Diretora articula manutenção da rotina legislativa
(Foto: Lucas dos Santos/A CRÍTICA)
A Câmara Municipal de Manaus (CMM) retornou aos trabalhos normais nesta segunda-feira (3) com 38 vereadores presentes e cinco ausentes no painel, mas com poucos realmente presentes no plenário Adriano Jorge durante o pequeno expediente e mesmo durante a deliberação de projetos legislativos.
O presidente em exercício da casa legislativa, vereador Jander Lobato (PSD), afirmou pouco antes do início da sessão que todos os parlamentares tem o trabalho de se apresentar às segundas, terças e quartas-feiras e que a CMM daria continuidade a esse modo de trabalho.
“É importante que todos os colegas venham. Nós temos o nosso compromisso aqui pela manhã até 13h e depois a gente pode fazer a nossa agenda, e os que forem candidatos podem ir para a rua fazer campanha”, disse.
O líder do prefeito, vereador Eduardo Alfaia (Avante), também afirmou que não haveria nenhum prejuízo às matérias tramitando na casa, tanto as enviadas pela Prefeitura de Manaus quanto as originadas no próprio legislativo. Segundo ele, “já há um acordo entre toda a bancada, Mesa Diretora, presidência da Câmara, presidentes de comissões e todos os líderes” para que a CMM funcione normalmente no período eleitoral.
Por outro lado, as imagens da CMM mostram um plenário esvaziado apesar da presença marcada no painel eletrônico. Dos 41 vereadores de Manaus, apenas nove discursaram na tribuna durante o pequeno expediente. Na deliberação de projetos, havia cerca de 34 parlamentares presentes e sete ausente.
Questionado se essas ausências poderiam prejudicar o andamento dos trabalhos, o vereador Gilmar Nascimento (Avante), presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), avaliou que aqueles parlamentares que forem candidatos precisarão saber conciliar seu trabalho com a campanha sem deixar vazios na CMM e qualquer situação deveria ser alvo de fiscalização externa.
“Existe o controle externo por parte do Tribunal de Contas, do Ministério Público, da própria imprensa, que devem acompanhar. Eu acredito que quem é candidato aqui e não vem para a Câmara, ele já tem um prejuízo visível, concreto, uma vez que ele não tem a tribuna e não está defendendo os interesses da cidade de Manaus”, afirmou.
As três ausências na primeira parte da sessão foram do vereador David Reis (Avante), presidente da casa, que viajou para São Paulo para participar da convenção nacional do seu partido, do vereador João Carlos (Republicanos), que está exercendo mandato de deputado federal, e do vereador Rosinaldo Bual (Agir), afastado por ordem judicial.
Retornando ao mandato após uma longa batalha judicial que culminou na perda de mandato do ex-vereador Elan Alencar (DC), a vereadora Glória Carrate (PSB) ressaltou que o ambiente na CMM sempre foi assim durante o período eleitoral, quando impera o conhecido “recesso branco”, marcado pela ausência de parlamentares e votações importantes.
“O vereador vem, pega presença e tem umas atividades que não deveria ter. Infelizmente é isso. Cada um cuida da sua vida, cada um sabe o que faz, da sua responsabilidade, mas com certeza isso afeta o plenário”, disse.
Uma das parlamentares que será candidata no pleito eleitoral é a vereadora Professora Jacqueline (União). À reportagem, a política afirmou que, de sua parte, não haverá esvaziamento de pautas ou de presença na CMM e que pode perfeitamente conciliar seu mandato de vereadora com a campanha política.
“A gente tem quinta e sexta-feira livres para ficar trabalhando na campanha em paralelo. Segunda, terça e quarta são os dias que a gente vem para o plenário, é esse o compromisso que a gente tem com a sociedade. Então, não há conflito de interesses. Eu venho cumprir meu horário e minhas pautas na Câmara e depois vou sair para minha campanha, isso é normal”, completou.