Maior despesa somada de candidatos ao governo é com atividades de rua, que buscam mostrar força das campanhas
(Fotos: Junio Matos e Reprodução / Redes sociais)
A prestação de contas parcial dos candidatos ao governo do Amazonas revelou que quatro dos sete concorrentes na disputa gastaram juntos, até o momento, mais de R$ 5,7 milhões com atividades de rua para mostrar força eleitoral. A estratégia ainda pode render votos, avaliam especialistas ouvidos por A CRÍTICA.
Segundo dados disponibilizados pelas campanhas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quem mais despejou recursos para as atividades de rua, R$ 2,7 milhões, foi o candidato e senador Omar Aziz (PSD), que tem liderado as principais pesquisas. O montante representa quase metade (48,6%) do total gasto pelos candidatos, somados.
O candidato Roberto Cidade (União Brasil), que disputa o cargo enquanto está na cadeira de governador, é o segundo com mais gastos nesta categoria, R$ 1,6 milhão. Ele é seguido pelo ex-prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), com R$ 815 mil, e pela empresária Maria do Carmo Seffair (PL), que despejou R$ 496 mil nesta rubrica.
Gilverto Vasconcelos (PSTU) não registrou gastos do tipo.
Dos sete candidatos ao governo, dois não apresentaram despesas até o momento: Cabo Daciolo (Mobiliza) e Isael Munduruku (Rede). Além disso, o primeiro aparece com apenas R$ 10 mil em receitas para a campanha e o segundo, com o caixa zerado.
IMPACTO ELEITORAL
O analista político e diretor da Action Pesquisas, Afrânio Soares, explica que as atividades de rua objetivam a formação de uma imagem de volume de campanha, o que ainda tem poder de se converter em intenção de voto para os candidatos.
“Isso pode fazer com que uma pessoa indecisa, por exemplo, ao ver muita mobilização e contato com a propaganda de um determinado candidato, se interesse por votar nesse candidato, o que já é o começo para a pessoa confirmar o voto, mais adiante”, diz.
A relação entre mobilização de rua e resultado eleitoral, porém, não é exata. Embora essas ações possam ampliar a visibilidade, também existe o risco de o eleitor interpretar a presença de estruturas pagas como algo artificial, aumentando o desinteresse por aquela candidatura.
R$ 3,2 mi para advogados
Segundo as declarações parciais ao TSE, o segundo maior gasto das campanhas foi com serviços advocatícios, atingindo R$ 3,2 milhões. Entre as ações comuns neste período, estão consultorias jurídicas e a estratégia eleitoral junto à justiça, que inclui tanto defesa em processos como a apresentação de ações. Por exemplo, para barrar ataques de outro candidato.
A líder em gastos com serviços advocatícios é Maria do Carmo, com R$ 1,2 milhão, seguida por David Almeida, com R$ 1,1 milhão. A lista segue com Roberto Cidade (750 mil); Omar Aziz (R$ 150 mil); e Gilberto Vasconcelos (R$ 9 mil).
O terceiro gasto mais comum é o de produção de programa sde rádio, televisão e vídeo, o que se amplia também para o conteúdo publicado nas redes. Juntos, os candidatos gastaram R$2,7 milhões com esta rubrica.
O campeão de gastos nesta categoria é David Almeida, com R$ 1 milhão até o momento. O candidato Roberto Cidade vem em seguida, com R$ 750 mil desembolsados, acompanhado por Omar Aziz (R$ 602 mil) e Maria do Carmo (R$ 400 mil).
Omar lidera em receitas
Dos sete candidatos ao governo, a maior parte das receitas está concentrada em recursos partidários.
Omar Aziz (PSD) lidera em arrecadação, com R$ 6,12 milhões, sendo R$ 6 milhões oriundos do partido e R$ 120 mil de pessoas físicas.
Em seguida aparece Maria do Carmo Seffair (PL), com R$ 4,53 milhões, quase integralmente de doação partidária, além de R$ 30 mil de recursos próprios.
Roberto Cidade (União Brasil) soma R$ 4,11 milhões, também majoritariamente do partido, com pequena participação de recursos próprios e de pessoas físicas.
David Almeida (Avante) registra R$ 4,3 milhões, integralmente de doação partidária.
Na outra ponta, Gilberto Vasconcelos (PSTU) aparece com R$ 31 mil em receitas, vindas do partido, doação de internet e recursos próprios.
Cabo Daciolo (Mobiliza) soma R$ 10 mil, integralmente partidários, enquanto Isael Munduruku (Rede) não declarou receitas nem gastos, mantendo a campanha zerada na prestação de contas parcial.