Ex-prefeito de Rio Preto da Eva e atual presidente da Associação foi preso por desacato, segundo a polícia
(Fotos: Reprodução)
A Associação Amazonense de Municípios (AAM) vê motivação política na prisão do atual presidente da entidade, Anderson Sousa, ocorrida neste domingo (4), dia de eleições, em Rio Preto da Eva (AM). Segundo a Polícia Militar, ele foi detido por desacato após ser interpelado por agentes que apuravam uma denúncia de compra de votos.
O presidente da Associação, que exerce importante influência sobre os prefeitos do interior, apoia a candidatura de Omar Aziz (PSD). Outros 49 dos 62 gestores municipais estão na campanha do candidato do PSD.
Anderson Sousa mantinha boa relação com o ex-governador Wilson Lima (União) e com o atual governador e candidato à reeleição, Roberto Cidade (União). A Associação, porém, afirma que cobranças recentes antecederam a prisão.
“É justamente nesse contexto que sua prisão causa preocupação e indignação. Independentemente de posições políticas, é fundamental que as instituições garantam o devido processo legal, o direito de defesa e a imparcialidade, para que nenhum cidadão seja privado de sua liberdade por razões que não sejam estritamente jurídicas”, acrescenta a manifestação.
A entidade finaliza a nota com um pedido de respeito e responsabilidade com os municípios do interior e com a população do Estado. “A defesa dos municípios não pode ser criminalizada. A cobrança por recursos públicos não pode ser confundida com afronta política. E divergências políticas jamais devem se sobrepor ao Estado Democrático de Direito”, aponta.
A prisão do ex-prefeito foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) durante uma coletiva realizada neste domingo. De acordo com a polícia, Anderson foi abordado após uma denúncia de suspeita de compra de votos e, durante a ocorrência, teria desacatado policiais militares.
Em vídeos registrados no momento da abordagem, Anderson Sousa aparece na fila para votar quando é interpelado por policiais. Não é possível ouvir o diálogo inicial, mas Anderson é intimado a seguir até a delegacia. Ele se nega a acompanhar os agentes, profere um palavrão e é levado à força pelos policiais.
No momento da confusão, um assessor dele também foi preso, algemado e levado à delegacia. Ele e Anderson estão na 36ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Rio Preto da Eva. Advogados já atuam no caso para tentar reverter as prisões.
Em 2023, Anderson Sousa foi preso durante a Operação Emergência 192. O objetivo da ação era cumprir mandados de busca e apreensão relacionados a desvios de recursos públicos e fraudes em licitações e contratos firmados pela Prefeitura de Rio Preto da Eva.
Na operação da Polícia Federal, o ex-prefeito foi preso por porte ilegal de arma de fogo em sua casa, em Manaus. Ele foi solto posteriormente.