Sessão do júri foi realizada na capital após denúncia de tentativa de cooptação de jurados; um dos condenados continua foragido.
(Foto: TJAM)
Três homens foram condenados pelo homicídio duplamente qualificado de Alexandro de Souza Barcelar, assassinado em 2021, no município de Manacapuru, no interior do Amazonas. O julgamento foi realizado na semana passada pela 3ª Vara do Tribunal do Júri, em Manaus.
Embora o crime tenha ocorrido em Manacapuru, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) determinou a transferência do júri para a capital após uma denúncia de que um dos réus teria tentado cooptar pessoas convocadas para atuar como juradas. A suspeita foi registrada em boletim de ocorrência e anexada ao processo.
Anthony Soares Loiola foi condenado a 19 anos de reclusão. Lauro Patrício Augusto de Lima recebeu pena de 22 anos de prisão, enquanto Sidnei Nazaré dos Santos foi condenado a 19 anos e três meses de reclusão. Todos deverão cumprir a pena inicialmente em regime fechado.
Anthony e Lauro participaram do julgamento sob custódia, pois já estavam presos preventivamente em Manaus. Sidnei Nazaré dos Santos permanece foragido.
Durante o julgamento, Anthony e Lauro negaram participação no crime.
Os jurados acolheram integralmente a tese apresentada pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM) e reconheceram as qualificadoras de perigo comum e do recurso que dificultou a defesa da vítima.
As teses apresentadas pela defesa, que buscavam afastar a autoria do crime e excluir as qualificadoras, foram rejeitadas pelo Conselho de Sentença.
Ao fixar as penas, a juíza Maria da Graça Giulietta Cardoso de Carvalho destacou a violência empregada no homicídio.
Segundo a magistrada, Alexandro foi atingido por pelo menos 18 disparos de arma de fogo, muitos deles efetuados a curta distância e em regiões vitais do corpo, circunstância considerada desfavorável na dosimetria da pena.
A acusação foi conduzida pelo promotor de Justiça José Augusto Palheta Taveira Júnior. A defesa dos réus foi realizada pelos advogados Victor Leyendecker de Paula Menezes, Alisom Joffer Tavares Canto de Amorim, Wagner Silva de Oliveira e pela Defensoria Pública.
Da decisão, cabe recurso.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime aconteceu na noite de 16 de abril de 2021, na Rua Regina Fernandes, no bairro Aparecida, em Manacapuru.
Segundo a investigação, Anthony Soares Loiola, Lauro Patrício Augusto de Lima, Sidnei Nazaré dos Santos e outros envolvidos chegaram ao local em quatro motocicletas, armados e sem esconder o rosto.
O grupo cercou as pessoas que estavam na calçada e efetuou diversos disparos contra Alexandro de Souza Barcelar, que morreu no local.
Ainda conforme a denúncia, horas antes do homicídio, Sidnei Nazaré dos Santos teria sido alvo de uma tentativa de assassinato e recebeu a informação de que um homem conhecido como "Sapinho" estaria envolvido no atentado.
Os acusados então saíram à procura da vítima e, ao chegarem ao local do crime, perguntaram por "Sapinho" e "Frajola". Após identificar Alexandro, conhecido como "Sapinho", efetuaram os disparos.