Operaão

Operação eleitoral cumpre buscas na SSP-AM e na casa de ex-secretário

A investigação apura o possível uso de servidores e veículos da estrutura da Segurança Pública do Amazonas em benefício de campanha eleitoral.

Lucas Vasconcelos
01/10/2026 às 10:51.
Atualizado em 01/10/2026 às 12:03

(Foto: Divulgação)

Uma operação deflagrada na manhã desta quinta-feira (1º), em Manaus, investiga supostas irregularidades eleitorais envolvendo o uso da estrutura da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e recursos não declarados durante a campanha eleitoral. Entre os locais onde ocorreram diligências estão a sede da pasta e a residência do ex-secretário de Segurança Pública, coronel Marcus Vinícius Oliveira de Almeida.

(Foto: Reprodução)

Segundo nota encaminhada à reportagem de A CRÍTICA pelo Ministério Público Federal (MPF), a investigação aponta para a utilização continuada de um veículo oficial da SSP ao longo da campanha e para o emprego de servidores do órgão, durante o horário de expediente, em atividades político-partidárias.

A apuração também identificou, segundo o Ministério Público Eleitoral (MPE), a atuação de um servidor público que não estaria afastado de suas funções como coordenador de um comitê eleitoral.

Os investigadores apuram ainda a existência de um imóvel que não teria sido declarado à Justiça Eleitoral e que, de acordo com a investigação, funcionaria como uma estrutura paralela de apoio à campanha. O conjunto de elementos levantados também levou à suspeita de utilização de recursos financeiros não contabilizados, prática conhecida como caixa dois.

Durante o cumprimento dos mandados, cerca de R$ 100 mil em espécie foram apreendidos na residência de um dos alvos da operação. O MPF não informou, na nota, a identidade do alvo em cuja residência o dinheiro foi encontrado.

O material apreendido será submetido a perícia técnica e passará a integrar os autos do procedimento investigatório mantido pelo Ministério Público Federal.

Imagens obtidas pela reportagem mostram veículos da Polícia Federal e agentes durante uma das diligências em Manaus. Equipes também foram vistas no Residencial Tapajós, na avenida Torquato Tapajós.

Operação conjunta

A operação foi deflagrada pelo Ministério Público Eleitoral em ação conjunta com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e a Polícia Federal.

Em nota encaminhada anteriormente à reportagem, o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) informou que as medidas de busca e apreensão foram requeridas pelo Ministério Público Federal após o encaminhamento de informações por setores do MPAM, conforme determina a Resolução nº 297/2024 do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

“A atuação do MPAM limitou-se à organização e ao auxílio na execução da operação, realizada pela Polícia Federal, sob a condução do Ministério Público Eleitoral”, informou o órgão.

A Polícia Federal também informou à reportagem que atuou em apoio operacional à equipe responsável pela investigação e pela execução das medidas.

De acordo com o MPF, o objetivo da apuração é investigar supostas irregularidades eleitorais e crimes correlatos e combater o uso indevido da estrutura pública e de recursos não declarados no pleito em curso.

Ex-secretário nega irregularidades

Marcus Vinícius Oliveira de Almeida comandou a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) antes de deixar a função para disputar as eleições de 2026. Conhecido eleitoralmente como Coronel Vinícius Almeida, ele concorre a uma vaga de deputado estadual pelo Podemos.

Após o cumprimento da busca em sua residência, Vinícius Almeida publicou um vídeo nas redes sociais em que confirmou a diligência e negou ter cometido irregularidades.

“Hoje é dia 1º de outubro e pela manhã a Justiça Eleitoral determinou uma busca e apreensão na Secretaria de Segurança e também na minha residência”, afirmou.

O candidato ressaltou que deixou a Secretaria de Segurança em março para concorrer ao cargo de deputado estadual e afirmou acreditar na Justiça Eleitoral. Segundo ele, será demonstrado no processo que não houve irregularidade em sua atuação.

“Lá nós provaremos que nada estamos fazendo de errado, porque verdadeiramente não estamos”, declarou.

Vinícius Almeida também afirmou ter 32 anos de serviço público e disse nunca ter sido acusado de crime anteriormente. Ao comentar a operação, classificou o processo como de natureza eleitoral e política.

“Esse processo agora, volto a destacar, é eleitoral, é político, simplesmente isso. Na minha vida inteira eu não cometi crime, não seria agora”, disse.

No vídeo, o candidato ainda relacionou a operação ao crescimento de sua candidatura e afirmou que continuará em campanha. Ao final da gravação, pediu votos para a eleição deste domingo (4).

A matéria foi atualizada às 12h02 desta quinta-feira (1º) para acrescentar o posicionamento do ex-secretário.

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