Autora do livro “Tempo de Retomada”, que inspira e fundamenta o tema 2025 do Boi Caprichoso, a escritora indígena Trudruá Dorrico falou ao acritica.com sobre a emoção de ver sua obra ecoar na arena
Trudruá Dorrico, Autora do livro que inspira e fundamenta o tema 2025 do Boi Caprichoso (Foto: Gabrielly Gentil)
Autora do livro “Tempo de Retomada”, que inspira e fundamenta o tema 2025 do Boi Caprichoso, a escritora indígena Trudruá Dorrico falou ao acritica.com sobre a emoção de ver sua obra ecoar na arena. “Fazer parte da história do boi é muito grande, para mim como mulher indígena, para o meu povo, para os povos indígenas”.
Makuxi da Amazônia e doutora em Letras, Trudruá afirma que sua escrita é fruto de uma retomada pessoal e coletiva. “Me apossei da língua do colonizador para subvertê-la, do mesmo modo que o Caprichoso vem fazer nestas três noites, conosco, respeitando nossa ancestralidade”.
Ela também destacou o poder simbólico do festival ao reafirmar pertencimentos e memórias. “Quando a gente reconhece nossas ancestralidades, a gente reafirma um Brasil muito mais democrático. E eu estou recebendo muito mais do que vim buscar. Passei o dia inteiro chorando”.
Trudruá encerra com gratidão pelo momento vivido em Parintins. “É uma honra testemunhar a dimensão que o tema tomou. É meu, mas também é indígena e coletivo”. Para ela, estar no festival e ver sua obra ser celebrada em um palco de tanta visibilidade é mais do que um reconhecimento pessoal — é um marco para a literatura indígena e para todos os povos que seguem em luta por memória, território e voz.