O momento mais emocionante aconteceu quando a Rainha do Folclore, Cleise Simas, foi elevada aos céus pela imponente figura do Merandolino, encantando o público e trazendo à tona a magia da lenda amazônica
Foto: Jeiza Russo
Na segunda noite da apresentação do Boi Caprichoso, o ponto alto foi a 'Lenda Amazônica - Sacaca Merandolino'. O lendário curandeiro, que se transformava em serpente nas águas para exercer seu dom de curar e proteger seu povo, foi imortalizado na arena com efeitos cênicos que trouxeram cores e movimentos às alegorias.
(Foto: Junio Matos/A CRÍTICA)
O momento mais emocionante aconteceu quando a Rainha do Folclore, Cleise Simas, foi elevada aos céus pela imponente figura do Merandolino, encantando o público e trazendo à tona a magia da lenda amazônica, confeccionada pelo artista Alex Salvador, que tem 16 anos de experiência no Galpão do Boi Caprichoso.
Com o subtema “Kizomba - Retomada Pela Tradição“, a apresentação trouxe a celebração da ancestralidade negra amazônica, reafirmando a identidade do Caprichoso como o Boi Negro de Parintins. A festa destacou a influência dos povos africanos na formação do boi-bumbá e denunciou o apagamento histórico da presença preta na região. Com poesia, arte e resistência, o Caprichoso deu voz às memórias invisibilizadas, aos quilombos do Amazonas e às tradições herdadas de seus ancestrais.
O Caprichoso entrou na arena no centro de uma estrela brilhante, que girava, destacando um módulo alegórico aéreo. A Figura Típica Regional trouxe a alegoria “Marandoeiros e Marandoeiras da Amazônia”. Enquanto o apresentador Edmundo Oran anunciava o item 15, figuras de boto cor de rosa “navegaram” pela galera azulada. A alegoria, executada pelos artistas Márcio Gonçalves e Nildo Costa, brilhou com luzes LED nos olhos de animais como jacaré, camaleão, cobra, onça, entre outros.
A figura do boto cor-de-rosa trouxe a Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid, que se transformou em Vitória Régia e evoluiu na arena com seu bailado. A estrela maior da noite, o Boi Caprichoso, surgiu de dentro da alegoria da Figura Típica Regional.
Enquanto isso, dos céus, surgiu a Porta-Estandarte Marcela Marialva, em um módulo aéreo. Os fogos de artifício ao redor do Bumbódromo marcaram o momento. A defensora do Item 5 evoluiu com seu pavilhão azulado. Na exaltação cultural, a cantora do Caprichoso, Paula Gomes, entoou um canto indígena. Patrick Araújo deu sequência à apresentação, interpretando “Kizomba – A Festa da Retomada”, escolhida para concorrer a 'Toada, Letra e Música' nesta segunda noite.
A Celebração Indígena levou os povos originários para a arena em um espetáculo coreográfico emocionante, com a participação do Pajé Erick Beltrão. A Cunhã-Poranga, Marciele Albuquerque, surgiu da alegoria e resgatou os rituais e a força das tradições indígenas.
O Ritual Indígena 'Musudi Munduruku - a retomada dos espíritos', com efeitos pirotécnicos, fumaça e movimentos mecânicos, surpreendeu ao fechar a segunda noite de apresentações do boi Caprichoso. Um dos momentos mais marcantes foi quando os espíritos começaram a “levitar” e, do alto, surgiu o Pajé Erick Beltrão. O ritual trouxe a retomada dos espíritos Munduruku, povo guerreiro do Vale do Rio Tapajós, e exaltou sua força ancestral. A alegoria, assinada por Kennedy Prata e equipe, rememorou a luta pela recuperação das urnas funerárias sagradas, as Itigãs. A Cunhã, Marciele Albuquerque, participou ao lado das indígenas Munduruku, dando ainda mais intensidade à apresentação.
Confira alguns dos momentos da apresentação:
Edmundo Oran, apresentador do Boi Caprichoso (Foto: Jeiza Russo)
Patrick Araújo, levantador de toadas do Boi Caprichoso (Foto: Jeiza Russo)
Boi Caprichoso durante evolução na arena (Foto: Jeiza Russo)
Valentina Cid, sinhazinha da fazenda do Boi Caprichoso (Foto: Jeiza Russo)
Caetano Medeiros, Amo do Boi Caprichoso durante a apresentação (Foto: Jeiza Russo)
Marciele Albuquerque, Cunhã-Poranga do Boi Caprichoso (Foto: Daniel Brandão)
Cleise Simas, Rainha do Folclore do Boi Caprichoso (Foto: Jeiza Russo)
Bumbá encerrou a noite com o ritual Itigãs (Foto: Daniel Brandão)
Erick Beltrão, Pajé do Boi Caprichoso durante evolução (Foto: Daniel Brandão)
Boi Caprichoso junto da torcida azulada no Bumbódromo (Foto: Jeiza Russo)