O início vermelho

Boi Garantido transforma a arena em um portal da encantaria amazônica na primeira noite do Festival

Sob o subtema 'Parintins: Portal do Encantamento', o boi vermelho e branco apresenta alegorias inspiradas em lendas, maternidade na floresta e rituais indígenas para celebrar a espiritualidade e a diversidade dos povos da Amazônia

acritica.com
26/06/2026 às 14:58.
Atualizado em 26/06/2026 às 14:59

Alegorias do Boi Garantido já podem ser vistas na concentração (Jorge Alberto)

O subtema "Parintins: Portal do Encantamento" dá o tom da primeira noite de apresentações do Boi Garantido no 59. Festival de Parintins nesta sexta (26). Em seu primeiro espetáculo, o bumbá vermelho e branco explora a dança entre a floresta e todos os seres que vivem nela, bem como os seus infinitos costumes e tradições.

Na celebração temática, vem uma alegoria que mescla todos os elementos da Amazônia, como fauna, flora, povos indígenas e os seres espirituais da floresta. Ao centro da alegoria, na parte debaixo, um coração com veias se abrirá, revelando surpresas. A alegoria, assinada pelo artista Aguinaldo Souza, homônima ao tema da primeira noite do bumbá, busca exaltar a mistura de todos esses elementos que compõem a floresta, trazendo dentro de si um portal, por meio de onde tudo isso se funde.

No item "Lenda Amazônica", o artista Leandro Oliveira e sua equipe trazem na alegoria "Parintintin - O povo que veio do céu" a figura de Pindova'úmi'ga, um ser divino e espiritual que está em uma odisseia pelo céu, pela terra e pelos rios em busca de seu refúgio. Este ser nada mais é do que o grande pajé que gerou o povo Parintintin. Por meio de uma árvore ancestral, ele encontra um segundo céu, para fazer de morada do seu povo.

No item "Figura Típica Regional", todas as "mães da floresta" são homenageadas na alegoria assinada pelo artista Wendel Miranda. Mães indígenas, caboclas, quilombolas e até as mães animais serão retratadas pela alegoria na arena, a exemplo  das mães-onça e mães-preguiça segurando suas crias. As mães humanas da floresta, para além de serem retratadas com os filhos mamando em seus colos, também são evidenciadas como provedoras de seus próprios recursos, seja pescando ou caçando seus próprios alimentos, seja repassando para seus descendentes as tradições sagradas da floresta.

A primeira noite do Boi Garantido se encerra com o "Ritual Indígena" Sonho de Ipají. Na alegoria, assinada pelo artista Juciê Santos, o escolhido para ser o novo pajé é isolado na Tocaia Sagrada. Neste lugar, ele, por meio de sonhos e enquanto descansa o corpo, vai se comunicar com o espírito Rupigwara, onde receberá os ensinamentos espirituais de cura e sabedoria para se tornar um líder espiritual de sua comunidade no futuro. 

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