O início azul

Boi Caprichoso abre o Festival de Parintins exaltando memória, ancestralidade e as raízes

Com o subtema 'O brinquedo do povo canta: Parintins – o chão de origem', o Touro Negro leva à arena lendas amazônicas, figuras típicas, denúncia ambiental e um ritual indígena que celebra a força dos povos originários

acritica.com
26/06/2026 às 14:39.
Atualizado em 26/06/2026 às 14:51

As alegorias do Boi Caprichoso já estão posicionadas na concentração (Jorge Alberto)

A primeira noite do 59. Festival de Parintins começa nesta sexta (26) com o Boi Caprichoso. Sob o subtema "O brinquedo do povo canta: Parintins - o chão de origem", o primeiro espetáculo do Touro Negro da América busca abraçar as memórias, nomes, a ancestralidade e os sonhos que teceram o projeto do bumbá desde o seu surgimento até os dias de hoje.

O primeiro momento do espetáculo azul e branco vai trazer o item "Figura Típica Regional", com o projeto "O brincador de boi-bumbá de Parintins". A primeira alegoria, assinada pelos artistas Preto e Paulo Pimentel, rememora todos aqueles que brincam de boi, desde as primeiras faíscas de paixão pelo folclore nascidas na Escolinha de Artes do Boi Caprichoso, até as pessoas que deixaram sua marca e sua forma de exaltar o folclore no bumbá.

Em seguida, vem o item "Lenda Amazônica". Com projeto assinado pelo artista Alex Salvador, a estrutura chamada "Cobra grande - A deusa da encantaria" retrata a lenda da cobra grande protetora de Parintins, cuja cabeça repousa embaixo da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, e cujo corpo acompanha os contornos da orla parintinense. Segundo a lenda, o réptil é considerado o primeiro habitante de Parintins e governa os domínios visíveis e invisíveis do Rio Amazonas.

Outro destaque da primeira noite do espetáculo azulado é o módulo alegórico "Monstro Correntão", assinado pelo artista de alegoria Nildo Costa. Correntão é um instrumento de desmatamento que consiste em uma corrente gigante atada a dois tratores, que arranca toda a vegetação por suas raízes mais profundas, interrompendo com crueldade os ciclos da fauna e da flora do local. Neste ato específico, o correntão é transformado em uma entidade demoníaca criada pela ganância humana, que vai guerrear com o Curupira, a entidade protetora das florestas e dos animais. 

A primeira noite do Boi Caprichoso se encerra com o item "Ritual Indígena", cuja alegoria foi batizada de "Ritual de Iniciação Wat-Amã". O projeto, assinado pelo artista Algles Ferreira, vai retratar o ritual da Tucandeira, tradicional rito de passagem que marca a transição dos jovens indígenas para a vida adulta. Ao colocarem as mãos em luvas de palha de arumã e serem ferroados pela formiga tucandeira, a dor lancinante que os envolve ultrapassa um teste de resistência apenas físico, mas os prepara espiritualmente para assumir as responsabilidades da comunidade em que vivem.

Assuntos
Compartilhar
Sobre o Portal A Crítica
No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.
Portal A Crítica - Empresa de Jornais Calderaro LTDA.© Copyright 2026Todos direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por