A frequência desses episódios e as consequências exigem prestar atenção e acionar a responsabilidade governamental e dos demais setores no monitoramento como mecanismo de prevenção e na investigação dos responsáveis pelos incêndios
(Foto: Junio Matos)
A capital amazonense voltou a viver na sexta-feira (9), mais um dia de qualidade de classificada em péssima e insalubre. Mais uma vez ficou entre as piores do mundo, de acordo com indicadores da IQAir, empresa suíça especializada em qualidade do ar.
A frequência desses episódios e as consequências exigem prestar atenção e acionar a responsabilidade governamental e dos demais setores no monitoramento como mecanismo de prevenção e na investigação dos responsáveis pelos incêndios. É um desafio que requer planejamento, enquadrar o tema na pauta de prioridades e promover ações efetivas de educação para que estudantes, dos diferentes níveis escolares, e a comunidade possam aprender sobre o que significa viver situações como essa.
O incêndio em uma área de 5 mil metros quadrados de vegetação no município de Autazes gerou dois dias de espessa fumaça em Manaus e a suspensão de atividades. Muitas pessoas, em destaque idosos e crianças, passaram mal. Também adolescentes e jovens relataram casos de tosse, rouquidão e irritação nos olhos.
A qualidade do ar é parte da cesta de preocupações que comunidades em diferentes países do mundo carrega. A população do Amazonas agora carrega a sua. Várias cidades e capitais que acumulavam problemas com a fumaça e os adoecimentos por ela provocados decidiram enfrentar o problema e conseguiram êxito.
São citadas como exemplo Londres, Pequim, Bogotá, Varsóvia, Sofia e Paris que pela determinação política tomaram iniciativas e mudaram a realidade. O Amazonas, pelo sofrimento, é colocado diante de um cenário repetitivo e poderá vir a pagar preços cada vez mais altos se continuar com a mesma postura.
Há pesquisas cientificas que estão à disposição do governo estadual, há pesquisadores responsáveis interessados em atuar na resolução do problema e na manutenção de hábitos de prevenção e de proteção nesse segmento. A ciência responsável existe para ser manejada na resolução de problemas, na adoção de medidas adequadas e saneadoras. Enfim, na promoção da qualidade de vida das pessoas e não ao contrário.
Se os representantes dos poderes instituídos não adotarem decisões firmes e conjuntas na adoção de procedimentos, de uma política de Estado, estarão se comportando como cúmplices de uma rotina que se realiza por vezes pela ilegalidade e produtora de adoecimentos e sofrimento a milhares de pessoas. Um quadro vivido ontem e vido hoje.