O governo brasileiro manifestou interesse em fortalecer as Forças Armadas do País como um dos requisitos para manter a “cabeça erguida” diante de outras nações.
Escola de Sargentos das Armas (Foto: Exército Brasileiro/Flickr/ST Sionir Rafael Mujica de Almeida)
O governo brasileiro manifestou interesse em fortalecer as Forças Armadas do País como um dos requisitos para manter a “cabeça erguida” diante de outras nações. A fala do presidente da República se deu no contexto do novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos a milhares de produtos brasileiros, e parece estar ancorada na ideia de que, quanto maior o poderio militar de uma nação, maior seria o “respeito” por parte de outros países.
Embora tal raciocínio não esteja livre de controvérsias, é evidente que qualquer país forte precisa ter forças armadas com pessoal bem treinado, devidamente equipada e prontas para entrar em ação, afinal, a missão precípua do Exército, da Marinha e da Aeronáutica não se restringe à guerra pura e simplesmente, é a “defesa da Pátria, a garantia dos Poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”, como bem especifica nossa Constituição em seu artigo 142.
Se vivêssemos em uma utopia, nenhum país se preocuparia em consumir recursos preciosos para construir exércitos poderosos com objetivo de se proteger de possíveis investidas militares de outras nações. Porém, a lógica da história humana é toda centrada no confronto entre povos, e na dominação de um por outro sucessivamente. Felizmente, a história do Brasil é marcada pela paz, interrompida apenas em momentos pontuais, como a participação de forças brasileiras na Segunda Guerra Mundial e no triste episódio que foi a guerra do Paraguai.
Ainda hoje – ou talvez hoje mais do que nunca – um país forte e soberano precisa ter Forças Armadas fortes, não apenas para se defender, mas principalmente, para promover a paz. E nesse ponto, alguns dos maiores destaques dos militares brasileiros são em ações humanitárias, como a Operação Acolhida em Roraima, a Operação Pipa no Nordeste e as Missões de Paz da ONU.
É claro que, em face do golpe de 1964 e da sombra antidemocrática que rondou o país recentemente, precisamos revigorar a certeza de que nossas Forças Armadas não servem a governos, mas ao País, e têm compromisso inarredável com a democracia. O país acerta se investir em nossas capacidades militares, desde que não descuide de setores tão ou mais estratégicos, como saúde e educação.