Pesquisadores, professores, dirigentes de instituições de ensino, pesquisa, de agências públicas de financiamento, estudantes reuniram-se por dois dias, no campus da Universidade Federal do Amazonas
(Foto: Agência Brasil)
O Encontro da Comunidade Científica e Tecnológica da Amazônia com a presidência da COP 30, encerrado na quarta-feira (20), gerou propulsão. Pesquisadores, professores, dirigentes de instituições de ensino, pesquisa, de agências públicas de financiamento, estudantes reuniram-se por dois dias, no campus da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), para uma fala mais direta e plural sobre a Conferência do Clima.
Esse é um dos aspectos positivos: a reunião de parcela expressiva de cientistas, professores e técnicos em diversas áreas da Amazônia. Foram construídas aproximações estratégicas e possibilidades de ampliação do diálogo entre diferentes setores para falar e propor ações de interesse dos sujeitos e da Natureza amazônica. Esse tipo de conduta é saudável ao Brasil, à região amazônica e à humanidade.
A carta entregue ao presidente da COP 30, embaixador André Corrêa do Lago, foi construída com a participação de representantes de 70 instituições (dado da coordenação do encontro) e apresenta em resumo um elenco de propostas que envolvem desde a transição nos setores de energia, indústria e transporte; a questão da gestão sustentável de florestas, dos oceanos e da biodiversidade; infraestrutura regional; transformação da agricultura e dos sistemas alimentares; resiliência em cidades, recursos hídricos; desenvolvimento humano e social; e objetivos transversais com foco nos eixos financiamento/inovação/governança.
A mobilização por dentro da Amazônia de cientistas, professores, gestores de organizações e de instituições públicas altera um quadro de aparente paralisia em momento de fundamental importância ao posicionamento regional e do próprio país. Trata-se de um tipo de articulação para formar uma agenda de enfrentamento à mudança climática, a partir de atores e de suas redes amazônicos.
A organização do encontro sob responsabilidade do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS) deixa evidente que existem meios de promover mais encontros dessa natureza como mecanismo de conhecer e reconhecer as especificidades do País e as experiências regionais/locais nele existentes. Quanto mais as universidades, os institutos federais, os órgãos de pesquisa científica e de desenvolvimento forem escutados e se sentirem participantes, maior é a chance de formulação de propostas que envolvam e contemplem as demandas dos amazônidas.
Neste momento, a grande pauta é COP30, a ocorrer em novembro no Pará. O pós-COP deverá deixar caminhos abertos e viáveis para promover mudanças positivas ao complexo amazônico do Brasil.