Editorial

O abuso nas estratégias de impulsionar vendas nos supermercados

São dezenas de produtos expostos nessa modalidade que exige do consumidor reforçar a atenção para não ser surpreendido no caixa.

acritica.com
02/05/2026 às 08:22.
Atualizado em 02/05/2026 às 08:22

(Foto: Agência Brasil)

As grandes redes de supermercados de Manaus estão adotando um sistema de precificação que induz o consumidor ao engano. Trata-se da indicação de preço em duas modalidades na mesma etiqueta. Um valor mais baixo, normalmente, em fundo preto, e, outro, mais alto. Trata-se de uma espécie de promoção, onde o consumidor pagará preço menor se comprar, em média, três unidades do mesmo produto.

São dezenas de produtos expostos nessa modalidade que exige do consumidor reforçar a atenção para não ser surpreendido no caixa. As informações de que é necessário comprar mais unidades para alcançar o preço mais baixo não são facilmente visíveis. Para o consumidor, esse artificio significa mais tempo nas gôndolas no trabalho de pesquisar os preços, validade e se tem condições de comprar o bloco de produtos para fazer jus ao valor mais baixo.

A estratégia das empresas não é nova, tem sido utilizada em larga escala em diferentes lojas de departamento e, na memória mais atenta dos brasileiros, funcionou bem – para as empresas – e se configurou em práticas abusivas do consumidor. Nesse caso, os valores embutidos eram para assegurar vantagens nas compras à vista, nos acréscimos feitos quando em cartão de crédito.

Nas lojas de supermercados, o movimento desse tipo de promoção é para fazer com que o consumidor compre maior quantidade de um mesmo produto, por vezes, sem necessidade de fazê-lo. Impulsionado pela suposição de que fará economia, compra mais unidades das mercadorias expostas nas prateleiras sob o selo promocional.

A quantidade de produtos sob esse tipo de etiqueta chama atenção e indica, em princípio, que a estratégia de venda tem se revelado positiva para os negócios do setor. No ano de 2025, de acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), tendo por base pesquisa da NielsenIQ, o faturamento total das redes supermercadistas alcançou R$ 1,145 trilhão, considerando todos os formatos de operação - dos atacarejos, minimercados, e-commerce, lojas de conveniência a hortifrutis. O valor corresponde a 9,02% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

O bom desempenho do setor tanto no plano das vendas quanto na de geração de postos de trabalho (9 milhões em todo o país) revela a consolidação dessa atividade. Faltam ajustes para que, no todo, possa assegurar preços justos, promoções legais e legitimas e produtos de qualidade e dentro do prazo de validade.

Assuntos
Compartilhar
Sobre o Portal A Crítica
No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.
Portal A Crítica - Empresa de Jornais Calderaro LTDA.© Copyright 2026Todos direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por