A inflação das famílias de renda muito baixa, com ganho menor que R$ 2.299,82, avançou de 0,85% em março para 0,92% em abril.
(Foto: Agência Brasil)
Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram os efeitos da inflação, desacelerada para a maioria das faixas de renda no mês de abril, no cotidiano das famílias de renda muito baixa.
A inflação das famílias de renda muito baixa, com ganho menor que R$ 2.299,82, avançou de 0,85% em março para 0,92% em abril. Já entre as famílias de renda mais alta, com renda superior a R$ 22.998,22 mensais, a taxa recuou de 0,85% para 0,24% no mesmo período.
O Ipea aponta que diante da alta mais ou menos intensa dos alimentos no domicílio, os reajustes mais fortes dos preços da energia elétrica e dos produtos farmacêuticos em abril foram os responsáveis para a aceleração inflacionária das famílias de renda muito baixa. Esse indicador forçou grupos familiares a adotarem comportamentos ora de reduzir o acesso a alguns bens ou ampliar endividamento.
Com a incorporação dos dados de abril, os indicadores acumulados do ano, expõe o Ipea, deixa em evidência como a classe de renda baixa é a que apresenta a maior taxa de inflação (2,66%), enquanto a faixa de renda alta tem a menor taxa no período (2,44%).
Em nota técnica, de 20 de maio, o Ipea afirma que as principais pressões inflacionárias de abril vieram dos grupos “alimentos e bebidas” e “saúde e cuidados pessoais”. No primeiro caso, os destaques foram os reajustes de itens importantes da cesta de consumo, como arroz (2,5%), feijão carioca (3,5%), batata (6,6%), carnes (1,6%), ovos (1,7%) e leite (13,7%). Já para o outro grupo, a pressão veio da alta dos produtos farmacêuticos (1,8%) e dos artigos de higiene (1,6%), além dos reajustes dos serviços médicos (1,0%).
Para as famílias de renda alta, também pesaram as quedas das tarifas aéreas (-14,5%) e dos veículos de aplicativo (-2,2%), produzindo importante alívio inflacionário em abril para essas famílias. Na comparação entre abril de 2025 e 2026, constata-se que, embora todas as faixas de renda tenham registrado aceleração da inflação corrente, a alta de preços foi mais forte para as classes com menor poder aquisitivo.