O movimento das juventudes estudantis nas ruas mostra sinais de que irá continuar. Tomara que assim se faça.
(Junio Matos)
As manifestações pró-Lula estão espalhadas na maioria das cidades grandes e pequenas do Brasil. É o tempo histórico se pondo. As juventudes deram o tom e as cores. Estudantes universitários e secundaristas voltaram às ruas físicas, irromperam como brotação em todos os cantos, com leques coloridos agigantando o som de "plá" ou "tá" quando, em sintonia, abrem e batem a peça.
É um Brasil em luta para não deixar o país mergulhar na direita radical. Não viver sob a ameaça da perda dos direitos conquistados e de repetir a agonia de conviver, diariamente, por mais quatro anos, com um governo dos sustos, das decisões violentas, da retomada do racismo e das gargalhadas de desprezo às dores dos mais vulneráveis, patrocinados por agentes públicos.
As juventudes e os artistas saíram para ocupar outros espaços. No sol, na chuva, no calor ou no frio, se mostram sem medo, sem cabresto, com os pés no chão numa boniteza só, como diria Paulo Freire.
Manaus referenciada como "bolsonarista" revela disposição de lutar para desfazer-se desse rótulo que a reduz. Na tarde de 11 de outubro, convocadas pelos estudantes, milhares de pessoas vão ao Largo São Sebastião e fazem acontecer a maior manifestação político-popular dos últimos 11 anos.
A Manaus rebelde, teimosa, destemida como Ajuricaba, rejeita a submissão aos colonizadores de hoje. Tem aversão aqueles que beijam a bandeira dos EUA e dizem sim ao comando estadunidense. São esses meninos e meninas que estão alimentando a esperança que não aguarda, faz. São centenas de artistas de todas as artes que movem as pedras da apatia e dançam, cantam, pintam, performatizam a defesa do governo democrático-progressista.
O segundo turno encerra na noite do 25 de outubro. O movimento das juventudes estudantis nas ruas mostra sinais de que irá continuar. Tomara que assim se faça. Não mais para retroceder e sim avançar ao ritmo dos leques, dos cabelos coloridos, sem vetar os cabeças brancas, carecas que ontem eram os jovens enfrentando a ditadura civil-militar para que o Brasil de hoje, que renasceu na Constituição de 1988, siga reduzindo as desigualdades, ampliando oportunidades para que a maioria dos brasileiros e dos amazonenses possa viver sem o peso da truculência e da exclusão.