Editorial

Entre o peso do material escolar e as outras práticas cidadãs

Fiscalização do Procon-AM revela alta abusiva em itens básicos como cadernos e resmas; pais denunciam 'acordos' entre escolas e editoras que impedem o reaproveitamento

Jornal A Crítica
24/01/2026 às 11:13.
Atualizado em 24/01/2026 às 11:13

Pesquisa de preço é fundamental para enfrentar a alta que supera 100% em alguns itens. (Foto: Daniel Brandão/A CRÍTICA)

O preço do material escolar em Manaus apresenta aumento de até 136% em relação aos valores praticados no ano passado. O dado é do Instituto de Defesa do Consumidor (Procon-AM) e refere-se a uma cesta de dez itens entre os quais resma de papel A4, caderno escolar para dez matérias, agenda.

Os responsáveis por estudantes deverão gastar aproximadamente R$ 600 reais com esse item. A permuta de material escolar que é um bom mecanismo de economia tem sido desestimulada por direções de escolas que, nessa atitude, acabam por fortalecer os negócios dos grupos que dominam o mercado editorial na área da educação fundamental e do ensino médio.

Permanece conduta abusiva em alguns estabelecimentos que atuam no setor. A fiscalização do Procon aliada a postura de quem irá comprar são fundamentais para garantir preços mais justos nessa temporada de compras do material escolar e respeito aos direitos do consumidor.

No geral, anualmente, esse é um dos itens que mais pesa no orçamento das famílias. A pesquisa pela aquisição dos itens que contemplem preços mais baixos e qualidade exige dos consumidores exercício longo e atencioso. São muitas horas na comparação dos preços a fim de assegurar os itens pedidos e o ajuste deles no orçamento familiar.

Outro aspecto que deveria ser valorizado tanto pelas escolas como pelas associações de pais e mestres é o reaproveitamento de uma série desses produtos, como os livros didáticos. A postura estimularia uma outra compreensão na forma de uso desse material, na economia das famílias e na cultura do cuidado por parte dos estudantes.

Infelizmente, como reclamam alguns pais e responsáveis por estudantes, o que está sendo incentivado é a compra. Estudantes querem coisas novas e pressionam os responsáveis e as direções de escolas não aceitam a reutilização do material. O acordo feito sem precisar ser oficializado é na direção de promover a compra. Algumas escolas têm acertos com editoras e fecham pacotes que, a cada ano, devem ser adquiridos por quem responde financeiramente pelos estudantes.

Em alguns municípios brasileiros, os pais, responsáveis, as associações comunitárias e de país e mestres trabalham há alguns anos noutra direção, a de cultivar as feirinhas do material escolar, com preços mais baixos, e a troca de itens. O resultado tem se revelado satisfatório tanto na economia quanto na construção da postura de cidadão.

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