Editorial

Ataque à cerimônia religiosa questiona conduta do Estado

O fato ocorreu no sábado (26), no bairro Cidade Nova, Zona Norte de Manaus e foi matéria de acrítica.com

acritica.com
30/06/2026 às 07:55.
Atualizado em 30/06/2026 às 07:55

(Foto: Divulgação)

A intervenção da Polícia Militar em uma cerimônia tradicional do Tambor de Mina no templo AJIGBE Eira de mina jejenagô Nossa Senhora da Conceição, é um ato inaceitável. Demonstra como as instituições oficiais estão contaminadas pelo racismo e a intolerância religiosa.

O fato ocorreu no sábado (26), no bairro Cidade Nova, Zona Norte de Manaus e foi matéria de acrítica.com.

Instrumentos sagrados nessa cerimônia foram recolhidos, de acordo com relatos de pessoas que participavam do ato religioso.

As religiões de matriz-africana têm direitos assegurados na Constituição Federal e, como as demais, cultuadas por outros tantos brasileiros, com suas cerimônias aceitas publicamente, devem ser respeitadas. A questão se torna grave quando se constata que agentes públicos, como o são policiais militares, se envolvem em iniciativas de repressão a cerimônias.

Casos dessa natureza não podem mais ser admitidos por tudo que representam e alimentam. É preciso que os órgãos responsáveis tomem providências tanto para investigar de modo responsável ocorrência desse tipo quanto na tomada de atitude que represente a determinação do governo em enfrentar a violência simbólica (um arsenal de mecanismos utilizados subjetivamente sobre grupos sociais) e a violência física. Responsabilizar os autores do crime.

A tentativa de naturalizar ataques dessa ordem precisa ser rechaçada para impedir que mais violência ocorra. Há acúmulo histórico para se compreender como as religiões de matriz africana foram vetadas e perseguidas no Brasil. Romper cada vez mais com os acordos dominantes que sustentam formas de veto e querem criminalizar as pessoas que seguem as religiões é urgente.

Embora as leis criem base para assegurar direitos às comunidades religiosas do espaço afro-brasileiro, as instituições, como demonstram ocorrências de repressão, parecem permanecer noutro estágio em que a função delas era reprimir a ferro, fogo, espancamento e bala que os adeptos pudessem desenvolver e participar dos seus rituais. A pergunta que fica é: o que irá acontecer depois da intervenção repressiva ocorrida no bairro Cidade Nova?

Será mais uma ocorrência colocada na tática do esquecimento? A atenção da sociedade e dos órgãos como o Ministério Público, as comissões da OAB-AM e da Assembleia Legislativa do Amazonas cuja tarefa é fazer os direitos serem respeitados, tornam-se instrumentos fundamentais nessa tarefa histórica.

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