Instituição afirma que poderá adotar medidas administrativas e acionar autoridades após vandalismo ocorrido no sábado
Alunos reuniram mais de 150 assinaturas para cobrar medidas da instituição (Foto: Divulgação/Juventude Manifesta AM)
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) afirmou que poderá tomar medidas administrativas e acionar as autoridades caso ocorram ataques ao patrimônio ou à livre manifestação dentro das suas dependências. O posicionamento é uma resposta a um ato de vandalismo ocorrido no sábado (25).
“Defender a universidade é defender a liberdade de pensar. A Ufam permanece firme em seu propósito de ser um espaço onde ideias podem e devem ser debatidas livremente”, pontuou a instituição em nota, rechaçando tentativas de censura.
Na manifestação, a universidade também deixou claro que não pretende impor restrições à livre circulação no campus. Tal medida, se ocorresse, pregaria contra os princípios da própria instituição.
“A Ufam é, por excelência, um lugar democrático, caracterizado pelo livre acesso e pela preservação da liberdade de opinião. Valorizamos a diversidade de pensamento e de expressão, pois entendemos que a universidade não é um espaço de pensamento único, mas um território de pluralidade, de crítica e de confronto de ideias — sejam elas ideológicas, políticas, científicas ou sociais”, pontua.
Considerando que o ataque mirou cartazes que defendiam pautas como cotas trans, políticas antirracistas e sobre os ataques de Israel a palestinos, a Ufam também reforçou seu posicionamento contra discursos de ódio.
“A Ufam não coaduna com discursos de ódio, de violência ou com ações que possam ser classificadas como tentativa de censura. A democracia não se fortalece com a destruição de manifestações, mas sim por meio do debate, da escuta e do respeito ao direito de expressão”, consta na manifestação.
Nesta quinta-feira (30), estudantes entregaram à reitoria um dossiê com pedido de providências para que a instituição atue para coibir novos casos. O documento reúne relato detalhado dos fatos, análise jurídica e constitucional, além de dados nacionais sobre censura e violência política nas universidades entre 2022 e 2026 e referências a episódios de repercussão nacional.
O material também apresenta três cobranças do movimento estudantil: posicionamento público da reitoria, manifestação do Conselho Universitário (Consuni) e abertura de processo na Ouvidoria da Ufam com acompanhamento do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF). O dossiê é assinado por entidades como a União Nacional dos Estudantes (UNE), União Estadual dos Estudantes (UEE), o Diretório Central dos Estudantes da Ufam (DCE-Ufam), Centro Acadêmico de Geografia e outros movimentos de juventude.
No sábado, um grupo de jovens que se autoidentifica como cristãos conservadores e patriotas destruiu cartazes que traziam mensagens semelhantes às que agora foram reescritas pelos alunos. O vídeo do ataque foi publicado nas redes sociais.
Um deles se declara “redpill” nas redes sociais, uma subcultura da internet que acredita que homens seriam vítimas de manipulação feminina e devem assumir um papel de dominador sobre elas.
Na gravação, eles afirmam que a universidade “não é lugar de ideologia”, de “fazer politização” e que receberam denúncias de que havia vários cartazes na instituição com “ideologias marxistas” e “de esquerda”, o que os levou até lá para destruir as mensagens.
Em outro vídeo publicado após a repercussão da primeira postagem, uma das participantes do ato de vandalismo afirmou que estava sendo ameaçada de morte. Ela disse que estava fazendo aquilo pensando no futuro dos filhos e de outros jovens que um dia possam estudar na universidade pública.