Meio Ambiente

Instituições públicas e privadas se unem para preservar o Igarapé do Gigante, na zona Oeste

Objetivo é monitorar e preservar o Igarapé do Gigante, que possui 22 nascentes e cruza diversos bairros da zona Oeste de Manaus

Robson Adriano
online@acritica.com
10/02/2024 às 13:53.
Atualizado em 10/02/2024 às 13:54

Uma das grandes questões do Igarapé do Gigante é a poluição das águas realizada por moradores da periferia (Divulgação)

Ações ambientais buscam preservar o Igarapé do Gigante, cuja nascente está situada na área de mata nas imediações do Aeroporto Internacional de Manaus – Eduardo Gomes, bairro Tarumã, na Zona Oeste de Manaus. Uma parceria entre instituições pública, privadas e movimentos ambientais viabilizou o projeto de Sistema Integrado de Inteligência, Proteção e Monitoramento da Bacia Hidrográfica do Gigante, localizado na zona Oeste de Manaus.

O Igarapé do Gigante cruza os bairros: Redenção, Planalto, o complexo imobiliário Parque Mosaico, Lírio do Vale e Ponta Negra, até desaguar no rio Tarumã-Açú tributário do Rio Negro. São cerca de 7 quilômetros desde a nascente até a foz do Igarapé do Gigante. O coordenador do coletivo “Todos pelo Gigante”, Gilberto Ribeiro, explicou que o movimento está em parceria com o Instituto de Proteção Ambiental da Amazônia (Ipaam) pela preservação do igarapé.

“Como ativista estamos lutando pela vida desse igarapé há mais de dez anos. Fizemos algumas ações de arborização de área degradada. Ano passado fizemos um curso de cidadania ambiental, em parceria com o Iames (Instituto Amazônia de Ensino Superior) e no final elaboramos quatro projetos para o Igarapé do Gigante e o Ipaam nos chamou e entramos nesse barco para tentar salvar esse igarapé”, disse o ativista Gilberto Ribeiro.

Igarapé do Gigante cruza diversos bairros da capital (Divulgação)

 Gilberto detalhou que uma das grandes questões é a poluição das águas. No próximo dia 24 será realizada uma oficina para o diagnóstico dos principais problemas do Igarapé do Gigante.

“Para poder identificar quais são os maiores problemas dessa região do igarapé, como lixeira que as pessoas fazem às margens. E também levar a consciência ambiental para dentro das escolas, desenvolver ações com os próprios moradores do entorno”, disse.

A região do Parque Mosaico está no foco das ações. “Fizemos algumas expedições nessa área que é a mais impactada nesse momento, na tentativa que não ocupem as APPs (Áreas de Proteção Permanente) e manter a área preservada, mas é difícil. Já fizemos uma série de denúncia e não dá para abrir mão, agora junto do Ipaam, é um reforço a mais. Agora com esse órgão, acreditamos que teremos mais força para cuidar do igarapé”, pontou.

Para Gilberto o Igarapé do Gigante é considerado importante devido as 22 nascentes e toda extensão que ocupa.

“Ele tem as suas nascentes dentro do aeroporto onde são preservadas. Ele é um igarapé que passa em dois bairros periféricos com problemas próprios, no caso, a Redenção e o Lírio do Vale. Nos demais ambientes, se manter a distância da margem exigida por lei, para que possamos arborizar”, frisou o coordenador.

Quatro projetos serão desenvolvidos em parceria com o Ipaam.

“Um deles é identificar as escolas construídas próximas ao igarapé e ali trabalhar a questão da educação ambiental e sensibilizar as crianças. Temos outro que é de arborização da margem. E temos um para instalação de ecobarreiras, elas vão está em pontos estratégicos ao longo do igarapé para que a gente garanta que os resíduos sólidos não parem no rio Negro”, detalhou.

Grupo de ativistas ambientais trabalham há mais de dez anos para preservar Igarapé do Gigante, em Manaus (Divulgação)

Projeto é lançado para monitoramento

 Na última quarta-feira (7) teve o lançamento do projeto do Sistema Integrado de Inteligência, Proteção e Monitoramento da Bacia Hidrográfica do Gigante, por meio de uma parceria entre o Ipaam, Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e diversas entidades públicas, privadas e civis. Segundo o órgão de proteção, a falta de saneamento básico dos bairros leva à contaminação das águas do Gigante por esgoto sanitário sem tratamento.

Serão monitoradas as ampliações de rede e as novas estações de tratamento projetadas pelo programa “Trata Bem Manaus” da Águas de Manaus, parceira do projeto, além dos sistemas já existentes em condomínios e conjuntos residenciais. Os dados apontarão: Indicadores de qualidade do rio e água subterrânea melhorados (IQA); Regularização de atividades licenciadas; Licenças das áreas do entorno; Recuperação de áreas degradadas; Eliminação das lixeiras viciadas; e Preservação das nascentes.

O sistema será coordenado pela gerência de Recursos Hídricos do Ipaam, e funcionará com parceiros institucionais para alinhamento de atividades como a recuperação de áreas degradadas com reflorestamento, revitalização de áreas de lixeiras viciadas no entorno do igarapé, fiscalização das estações de tratamento de efluentes e estações específicas de novos loteamentos e condomínios, para que tenham um efetivo tratamento, contribuindo para a manutenção de uma qualidade que não se tem hoje.

O diretor-presidente do Ipaam, Juliano Valente, ressaltou que é a primeira vez que o órgão integrou entidades civis a um projeto da casa. 

“A ideia é incentivar, a partir de estudos acadêmicos científicos a coletividade com as instituições da sociedade civil, agregando o interesse público ao interesse social e ao interesse daqueles que querem bem aos nossos igarapés, para que possamos fortalecer um conjunto de informações únicas aqui dentro do Ipaam”, pontuou o diretor-presidente do Ipaam, Juliano Valente.

O gerente de Recursos Hídricos (GERH) do Ipaam, Daniel Nava, enfatiza a relevância do novo Sistema de Monitoramento. 

“O Sistema vem dar voz ao anseio de comunidades que vivem no entorno, como o Movimento Todos Pelo Gigante, que agiam de forma isolada, mas com muita responsabilidade social, perante aquilo que as pessoas perderam: a possibilidade de tomar banho naquelas águas”, disse Daniel Nava.

Daniel ressalta ainda que a partir de agora essas comunidades terão seus anseios incorporados ao sistema público de controle ambiental e passam a ser os agentes fiscais do sistema.

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