Advogado defende desapropriação ou lei para garantir permanência do tradicional bar no Largo de São Sebastião e critica condução do processo judicial.
O Bar do Armando foi fundado na década de 70 pelo português Armando Dias Soares, falecido em 2012. (Foto: Daniel Brandão/AC)
O tradicional Bar do Armando, por meio do advogado Fausto Mendonça, defendeu, nesta segunda-feira (13), uma saída política para garantir a permanência no imóvel localizado em frente ao Largo de São Sebastião, no Centro de Manaus. Em coletiva de imprensa, o advogado da família também criticou a condução do processo judicial e afirmou que o caso ainda aguarda o julgamento de um recurso após a suspensão da ordem de despejo.
Segundo o advogado, o recurso deverá ser analisado pelas Câmaras Reunidas do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM). A expectativa é de que o julgamento ocorra dentro de dois a três meses, período que, segundo ele, pode permitir a construção de uma solução pelos poderes Executivo ou Legislativo.
No âmbito do Executivo, a principal alternativa defendida pela família é a desapropriação do imóvel. A proposta foi apresentada pela administradora do bar, Ana Cláudia Soares, filha do fundador Armando Soares.
Já no Legislativo, Fausto Mendonça sugeriu a aprovação de uma lei municipal ou estadual que reconheça o Bar do Armando como patrimônio cultural material de Manaus. Segundo ele, essa medida garantiria a permanência do estabelecimento no endereço atual.
Ana Cláudia, filha do fundador Armando Soares, e Fausto Mendonça, advogado de defesa da família (Foto: Daniel Brandão/AC)
Atualmente, o bar já possui o título de patrimônio cultural imaterial, reconhecimento que, conforme explicou o advogado, protege apenas sua história e tradição, sem assegurar a permanência no imóvel.
Questionado sobre contatos com parlamentares e representantes dos governos municipal e estadual, Mendonça afirmou que já iniciou conversas, mas ressaltou que o apoio da sociedade pode fortalecer a busca por uma solução.
Durante a coletiva, Ana Cláudia também negou que a família pretenda ingressar com uma ação de usucapião. Segundo ela, essa alternativa não se aplica ao caso, já que a ocupação do imóvel sempre ocorreu por meio de contrato de locação. Ela ainda classificou essa hipótese como inadequada do ponto de vista moral.
A administradora também desmentiu informações de que teria proibido a entrada de padres no estabelecimento ou de que o bar possuía débitos de aluguel com a Igreja.
Fausto Mendonça afirmou que houve desequilíbrio na tramitação das ações judiciais envolvendo o caso. Segundo ele, a ação de despejo movida pela Diocese do Alto Solimões e a ação renovatória de locação proposta pela defesa do bar tiveram tratamentos distintos, comprometendo o devido processo legal.
Ana Claudia esclareceu desconhecer qualquer iniciativa da família de entrar com ação de usucapião (Foto: Daniel Brandão)
Proprietária do imóvel, a Diocese do Alto Solimões iniciou, em 2015, o processo para retomar o espaço com o objetivo de instalar a sede administrativa. Após mediação do então prefeito Arthur Virgílio Neto, a Diocese e o Bar do Armando firmaram um contrato de locação com duração de dois anos e previsão de não renovação.
Com o fim do contrato, a defesa do estabelecimento ingressou com uma ação renovatória de locação. Posteriormente, a Diocese ajuizou uma ação de despejo para uso próprio.
Em sentença conjunta proferida em 2025, a Justiça julgou improcedente o pedido de renovação do contrato e procedente a ação de despejo apresentada pela Diocese. A ordem de desocupação, no entanto, encontra-se suspensa até a análise do recurso.
O artista plástico, poeta e compositor Rui Machado esteve no Bar do Armando nesta segunda-feira (13) para manifestar apoio à família do fundador, de quem era amigo. Para ele, a retirada do estabelecimento representaria uma perda irreparável para a cultura de Manaus.
Além de Rui Machado, amigos e frequentadores acompanharam a coletiva. Em diversos momentos, as declarações de Ana Cláudia foram recebidas com aplausos.
Armando Dias Soares, fundador do Bar do Armando, morreu aos 77 anos (Foto: Arquivo AC)
Fundado na década de 1970 pelo português Armando Dias Soares, falecido em 2012, o Bar do Armando tornou-se um dos principais pontos de encontro da vida cultural e política de Manaus. Ao longo de sua trajetória, o estabelecimento recebeu personalidades como o ex-governador e ex-senador Amazonino Mendes (1939-2023), o presidente do TJAM, Jomar Fernandes, o vice-governador Serafim Corrêa, a atriz e ativista Socorro Papoula e a professora, escritora e pesquisadora Graça Barreto.