Denúncia ocorre após liberdade provisória de sargento investigado pela morte de Carlos André
Mãe de Carlos André segura cápsula que, segundo a família, teria sido usada no disparo que matou o jovem (Fotos: Reprodução e Paulo Bindá/A CRÍTICA)
A defesa da família do jovem Carlos André de Almeida Cardoso, morto aos 19 anos, denunciou, na manhã desta terça-feira (21), supostos casos de tortura e perseguição contra testemunhas do crime. As declarações foram feitas pelo advogado Alexandre Torres Jr., na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), onde o caso é investigado.
Segundo o advogado, pessoas que presenciaram a ocorrência estariam sendo coagidas por policiais militares desde o velório da vítima. Ele afirma que testemunhas vêm sendo submetidas a agressões e intimidações.
Familiares e amigos de Carlos André no velório (Foto: Paulo Bindá)
Ainda de acordo com a defesa, a suposta atuação dos policiais ocorre de forma retaliatória. “Esses agentes, que deveriam servir e proteger, estão perseguindo em um caráter retaliatório. Por isso, estamos pedindo que a autoridade policial investigue essa coação no curso do processo”, acrescentou.
O advogado também voltou a criticar a decisão judicial que concedeu liberdade provisória ao sargento da Polícia Militar, Belmiro Wellington Costa Xavier, investigado pela morte do jovem. Para ele, a medida foi equivocada.
A defesa sustenta que, além do sargento, outro policial deve responder por omissão. “Se ele presenciou o crime, tinha o dever de impedir. Não só não impediu, como apresentou uma versão que foi desmentida por imagens de câmeras de segurança”, disse.
O crime foi registrado por câmeras de segurança.
Outro ponto levantado pelo advogado diz respeito à arma utilizada na ocorrência. Segundo ele, o armamento apreendido — uma pistola calibre 9 milímetros — seria de uso particular e não estaria registrado no nome do sargento no Sistema Nacional de Armas (Sinarm).
Diante disso, a defesa solicitou que a Polícia Federal verifique a legalidade do armamento. “Estamos pedindo que seja certificado se essa arma é realmente legalizada. Caso contrário, ele também deve responder por porte ilegal de arma de fogo”, completou.
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O caso
O sargento Belmiro Wellington Costa Xavier foi preso após a morte de Carlos André, ocorrida na madrugada de domingo (19), no bairro Alvorada, zona Centro-Oeste de Manaus. A vítima foi atingida por um disparo no peito durante uma abordagem policial e morreu ainda no local.
Imagens de câmeras de segurança e relatos de testemunhas indicam que o jovem já estaria rendido no momento do disparo, o que levanta suspeitas de execução.
Na segunda-feira (20), a Justiça do Amazonas concedeu liberdade provisória ao policial durante audiência de custódia, mediante o cumprimento de medidas cautelares, como afastamento das atividades operacionais e suspensão do porte de arma.
As investigações seguem sob responsabilidade da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros.
A reportagem entrou em contato com a Diretoria de Comunicação Social da PMAM solicitando uma manifestação oficial sobre as denúncias, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. Assim que um posicionamento oficial for recebido, será adicionado ao material.