Culinária

Tacacá: Com o verde do jambu, o amarelo do tucupi e o branco da goma, iguaria entra no clima da Copa

Para a chef de cozinha Marie Melo, essa representatividade vai além da aparência e se sustenta na história que o próprio prato carrega.

Amariles Gama
02/05/2026 às 11:05.
Atualizado em 02/05/2026 às 13:06

Chef Marie Melo defende que o tacacá é a identidade brasileira na gastronomia (Foto:: Daniel Brandão/A CRÍTICA)

Em ano de Copa do Mundo no Brasil, o verde e amarelo aparece por toda parte. Está nas ruas, nas roupas e nas bandeiras, mas também em um prato que carrega essas cores de forma natural. No tacacá, o verde do jambu, o amarelo do tucupi e o branco da goma se encontram na cuia e formam uma combinação que remete à essência do país. Mais do que coincidência, o prato reúne história, território e identidade.

Para a chef de cozinha Marie Melo, essa representatividade vai além da aparência e se sustenta na história que o próprio prato carrega. Ela defende que o tacacá não deve ser visto apenas como um prato regional, mas como uma expressão de identidade brasileira, já que, além de reunir as cores do país, também compartilha da mesma origem, profundamente ligada à cultura indígena.

“O tacacá é um dos pratos mais representativos da culinária brasileira por ter essa questão do amarelo do tucupi, o verde do jambu, o branco da goma, além do camarão. Mais do que a cor, ele carrega origem. É um prato que vem da cultura indígena, da força da mandioca da Amazônia, daquele pertencimento territorial. Ele não é só um prato regional, ele é uma identidade, ele é Brasil representado numa gastronomia rica e poderosa”, reforça Marie.

VALORIZAÇÃO DA CULINÁRIA AMAZÔNICA

A conexão com o país pode se intensificar para muitos em momentos como a Copa do Mundo, quando o sentimento de pertencimento ganha ainda mais força. Segundo a chef de cozinha, a culinária também acompanha esse movimento, com restaurantes preparando pratos e drinks personalizados para a época. A diferença é que o tacacá já veio naturalmente “pronto para a festa”.

“A comida também entra nesse clima. Assim como a gente veste a camisa da seleção brasileira, a gente se torna mais brasileira nesse período e também pode mostrar o Brasil através do que a gente come. E o tacacá já traz isso naturalmente, ele já é o brasileiro na sua essência, sem precisar criar nada”, destacou a chef.

Aline Damasceno lembra que o tacacá fazia parte dos encontros de família

 Marie, que nasceu na Ilha do Marajó, no Pará, conta que o tacacá faz parte de suas vivências antes mesmo de se tornar chef de cozinha. Ela lembra que cresceu acompanhando o preparo de alimentos regionais junto com sua família e tem observado com otimismo uma valorização crescente da culinária regional no cenário nacional.

“Hoje eu sinto que as pessoas estão olhando mais para o Norte, existe uma valorização maior dos ingredientes brasileiros, dos produtos, dos produtores locais e das receitas tradicionais. Quando a gente olha para o Brasil de verdade, a gente inevitavelmente olha para a Amazônia”, destacou.

Geração de renda

Se de um lado o tacacá se destaca como símbolo cultural, de outro ele também sustenta histórias e negócios. A empreendedora Aline Damasceno, de 43 anos, à frente de um estabelecimento de venda de tacacá em Manaus e tem no prato a sua única fonte de renda.

Aline conta que o negócio surgiu a partir de uma iniciativa da mãe, natural de Santarém, no Pará, como forma de manter viva a conexão com sua terra natal. Segundo ela, o tacacá fazia parte dos encontros de família e, quando tudo começou, a produção acontecia dentro de casa. Com o tempo, a atividade se transformou em empreendimento e hoje soma 24 anos de funcionamento, com duas unidades e cerca de vinte funcionários.

“O tacacá é um produto que tem um processo longo. Tem que limpar o jambu, preparar o camarão, cuidar do tucupi. É um trabalho que exige tempo e muito cuidado”, detalhou Aline.

Tacacá e encontros na Copa

Para a empreendedora, o tacacá também ganha um novo significado em ano de Copa e se conecta aos momentos de encontro para assistir aos jogos. Segundo ela, o tacacá é um prato coletivo quando se volta à origem do preparo, apesar de, posteriormente, ser dividido em cuias.

“O tacacá não é uma comida que dá para fazer um prato ou dois e consumir sozinho. É preciso preparar uma quantidade maior, que serve pelo menos umas dez pessoas. Jogo pede reunião de amigos, pede esse momento de encontro, e tem que ter comida e bebida, quando o pessoal se reúne para rir, conversar, comer e beber, principalmente quando o Brasil ganha”, disse Aline.

De forma simples, mas autêntica, o tacacá reafirma que a cultura brasileira também está no que é servido e compartilhado na mesa, em cores, sabores e histórias que, assim como na Copa, ajudam a traduzir o que é ser Brasil.

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