A urgência de um novo porto se evidencia diante de uma rápida análise: a capacidade da estrutura atual está aquém da procura pelos serviços
(Foto: Jeiza Russo)
A notícia do início das obras de um novo porto para atender a demanda de Manaus é, sem dúvida, alvissareira. A despeito do fato de o anúncio ser feito às vésperas das eleições e de haver candidatos obviamente capitalizando em cima do projeto, é evidente que a capital necessita de uma nova infraestrutura portuária, dado que o centenário porto privatizado, o tradicional Roadway – ou Ródo, como a população prefere chamar – já não atende, há muito tempo, as necessidades locais.
A urgência de um novo porto se evidencia diante de uma rápida análise: a capacidade da estrutura atual está aquém da procura pelos serviços; a cobrança – até mesmo para adentrar as instalações – não corresponde à qualidade do que é oferecido; a desorganização absurda nos píeres flutuantes torna o embarque e desembarque de cargas e passageiros uma experiência absolutamente desafiadora. O Porto de Manaus é um patrimônio da cidade, que deve ser preservado, mas que já não é capaz de cumprir a contento a missão para qual foi construído há mais de cem anos.
Temos, então, o início das obras de um novo porto, com projeto mais moderno, maior capacidade de atracação e movimentação de cargas, a ser construído onde funciona hoje um conjunto de balsas que atuam precariamente como complexo portuário. A sociedade espera que o anúncio do empreendimento não se trate de mera estratégia eleitoral, que o projeto, realmente, saia do papel e se materialize no prazo máximo de 36 meses, e que seja um exemplo da boa aplicação dos recursos públicos, com rigorosa execução orçamentária, sem os sempre duvidosos aditivos que costumam duplicar e até triplicar os custos inicialmente contratados. Diante do anúncio, a população que utiliza os serviços portuários – e se sente lesada ao ter que pagar R$ 50 para entrar com seu veículo em um porto totalmente defasado –enche o peito de esperança.
Por outro lado, é preciso traçar um plano adequado para o “Ródo”. Com a entrega do novo porto da Manaus Moderna, prevista para 2029, a movimentação de embarcações deve migrar das antigas para as novas instalações. Os controladores atuais do porto terão que chegar a um acordo com o governo estadual. A principal proposta é que o Roadway foque em atividades como recepção de cruzeiros, serviços turísticos e entretenimento. Se será assim, só o tempo dirá.