Economia

Jovens diversificam investimentos enquanto 62% dos brasileiros mais velhos não guardam dinheiro

Levantamento da Anbima em parceria com o Datafolha revela diferenças entre gerações e mostra que apenas 16% dos brasileiros já começaram a poupar para a aposentadoria

acritica.com
22/08/2026 às 20:38.
Atualizado em 22/08/2026 às 20:38

(Foto: Divulgação)

O comportamento dos brasileiros diante do dinheiro mudou de forma significativa entre as gerações recentemente. Enquanto jovens começam a diversificar investimentos e demonstram maior preocupação com a formação de uma reserva financeira, parte da população mais velha ainda enfrenta dificuldades para guardar dinheiro e sequer conhece produtos disponíveis no mercado.

É o que mostra o recorte geracional do Raio X do Investidor Brasileiro, levantamento realizado pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Datafolha. Os dados revelam uma diferença importante na relação de cada faixa etária com investimentos, planejamento e formação de patrimônio.

Entre Millennials, nascidos de 1981 a 1996, e integrantes da Geração Z, de 1997 a 2010, aparece uma maior disposição para diversificar os investimentos e manter uma reserva para situações de emergência. Entre os chamados Boomers, nascidos de 1946 a 1964, a realidade é bem diferente: 65% não utilizam ou afirmam não conhecer nenhum produto de investimento.

Outro dado chama atenção: 62% dos brasileiros mais velhos dizem não guardar dinheiro de nenhuma forma. O resultado expõe uma vulnerabilidade que pode se tornar ainda maior quando a renda do trabalho diminui ou deixa de existir.

O quadro também aparece nos números gerais da pesquisa. Apenas 36% da população brasileira são considerados investidores, enquanto 64% permanecem fora do mercado financeiro. Quando o assunto é aposentadoria, a preparação é ainda mais limitada: somente 16% dos brasileiros afirmam ter começado a guardar dinheiro para essa finalidade.

Para Victor Britto, líder da XP no Amazonas, os números mostram uma mudança no padrão esperado entre as gerações. “Tradicionalmente, esperaríamos que as gerações mais velhas estivessem mais preparadas financeiramente, mas os dados mostram o contrário: elas são hoje as mais vulneráveis. Isso acende um alerta sobre planejamento de longo prazo no Brasil”, afirma.

Segundo ele, a maior aproximação dos jovens com os investimentos é um avanço, mas não elimina a necessidade de ampliar a educação financeira entre todas as faixas etárias. “Os jovens estão mais conectados, têm maior acesso à informação e já começam a investir de forma mais diversificada. Mas isso não significa que estejam totalmente preparados. O importante é aproveitar esse movimento para ampliar a educação financeira em todas as idades, principalmente entre quem está mais próximo da aposentadoria”, diz.

DIFERENÇA E APRENDIZADO

A distância de comportamento entre jovens e mais velhos também pode abrir espaço para uma troca de conhecimentos dentro das famílias. De acordo com Victor Britto, os mais jovens costumam ter maior familiaridade com aplicativos, plataformas digitais e informações disponíveis na internet. Esse conhecimento pode ajudar pais e avós a conhecerem novas ferramentas financeiras.

As gerações mais velhas, por outro lado, acumulam experiências que continuam importantes para quem começa a investir, como disciplina, controle de despesas e capacidade de lidar com períodos de dificuldade econômica. Quando esses conhecimentos são compartilhados, decisões sobre investimentos, aposentadoria e sucessão patrimonial podem ser discutidas de maneira mais organizada, afirma o especialista em investimentos.

“Existe uma oportunidade clara de aprendizado mútuo. Os mais jovens podem aprender sobre disciplina e visão de longo prazo, enquanto os mais velhos podem se beneficiar da diversificação e do conhecimento sobre novas ferramentas. Quando essa troca acontece dentro das famílias, o impacto pode ser muito positivo”, destaca.

RESERVA DE EMERGÊNCIA

Para Britto, independentemente da idade, a organização financeira começa por medidas básicas. Antes de buscar alternativas mais complexas, é necessário conhecer a própria renda, controlar despesas e estabelecer uma quantia destinada a situações inesperadas.

A reserva de emergência funciona como uma proteção contra despesas imprevistas e pode evitar que uma família precise recorrer a empréstimos ou interromper investimentos diante de um problema financeiro.

Outro ponto destacado pelo especialista é a regularidade. A construção de patrimônio ocorre ao longo do tempo e não depende apenas de grandes aportes. A diversificação também tem papel importante. Distribuir recursos entre diferentes modalidades de investimento pode reduzir a exposição a riscos concentrados em um único produto ou mercado.

Os jovens já apresentam avanços nesse comportamento, segundo a pesquisa, mas a diversificação ainda precisa alcançar outras faixas etárias.

O DESAFIO DA APOSENTADORIA

A baixa proporção de brasileiros que guardam dinheiro pensando na aposentadoria revela outro problema. Apenas 16% da população começaram a formar uma reserva específica para essa etapa da vida.

Na avaliação do especialista, deixar essa preparação para os últimos anos da vida profissional reduz o tempo disponível para acumular recursos e aumenta a dependência da renda previdenciária. “Pensar na aposentadoria desde cedo permite aproveitar o tempo e os juros compostos. Mesmo começando com valores menores, quem mantém regularidade por muitos anos pode chegar ao futuro em uma situação financeira diferente”, explica.

Entre as alternativas complementares à Previdência Social estão os planos de previdência privada, como PGBL e VGBL. A escolha entre as modalidades depende de fatores como renda, objetivos financeiros, forma de declaração do Imposto de Renda e planejamento sucessório.

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