1º compilado

Inpa: terceiro maior descobridor de novas espécies de insetos do Brasil

Das 680 novas espécies brasileiras de insetos, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia é responsável por 151 novas descobertas.

Karol Rocha
karol.rocha@acritica.com
12/06/2022 às 09:40.
Atualizado em 12/06/2022 às 09:40

(Lucas Batista/Inpa)

Do total de 680 novas espécies de insetos descritas no Brasil em 2020, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) é responsável por 151 descobertas de novas espécies. A instituição é a terceira que mais descreve novas espécies de insetos no país. 

Esses e outros dados importantes estão no primeiro compilado anual sobre Hexapoda no Brasil o qual foi divulgado na última quinta-feira (9) durante o seminário: “Desvendando as espécies novas de insetos de 2020: um Raio X na produção anual da descrição de novas espécies brasileiras de insetos”.

De acordo com o entomólogo e membro permanente da Pós-Graduação em Entomologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Alberto Moreira da Silva Neto, o estudo traz uma série de respostas às perguntas que até os acadêmicos não sabiam como desvendar. Entre os questionamentos realizados pelos estudiosos estão: quantas espécies brasileiras de Hexapoda (mais conhecidas como insetos) foram descritas em um ano?. 

“Então, com base nas estimativas que alguns especialistas deram e com base no que foi a produção de 2020, nós fizemos uma fórmula matemática e calculamos quantos anos seriam necessárias para que se conhecesse a real diversidade de espécies brasileiras e como resultado, nós obtemos coisas fantásticas”, disse ele.

“Fomos construindo esse 'paper' desde setembro do ano passado e quando foi final do ano, nós finalizamos as buscas a partir de uma sequência de nomes e algumas bases de buscas acadêmicas e currículo lattes de pesquisadores chegamos a esses números".  

No geral, o estudo traz o número de novas espécies descobertas no Brasil; quais são essas espécies; quais famílias pertencem; a participação das mulheres na autoria desses estudos; onde estão esses autores no Brasil; se existe a desigualdade entre estados e regiões no que diz respeito as fixações de autores e outros. 

Novas espécies

Conforme o compilado anual sobre Hexapoda no Brasil, foram publicadas 680 novas espécies brasileiras de insetos. O maior número de novas espécies são os coleópteros, os chamados besouros e as joaninhas com 229 descobertas, seguido da ordem Hymenoptera, com 102, que compreendem as vespas, abelhas e formigas. 

Em terceiro lugar está a Hemiptera, com 89, que são as cigarras, percevejos, pulgões e cochonilhas e o quarto a ordem Díptera, que são moscas, mosquitos, varejeiras, pernilongos, borrachudos e mutucas com 87 novas espécies descobertas.

Mosca Pseudosympycnus bickeli Soares & Capellari (Foto: Soares PPG/ENT/INPA)

Autores por Estado 

Conforme o levantamento, os estados de São Paulo e Paraná dominaram a produção de novas espécie em 2020, e o Amazonas é o terceiro a aparecer na lista. 

“O Inpa é a ponto fora da curva do país todo em relação à produtividade de espécies novas do ano de 2020. Grande parte dessas espécies novas são provenientes da nossa pós-graduação que é fundamental para fomentar pesquisa de instituição de pesquisas”.

Das 680 novas espécies descobertas de insetos: 181 foram feitas pela USP, seguida de UFPR com 167 e o Inpa, o qual descobriu 151 novas espécies de hexapoda.

Mulheres cientistas

No universo de 423 autores dessas novas espécies, 128 são mulheres e 295 são homens.  As espécies foram publicadas em um total de 219 artigos com 423 autores diferentes residentes em 27 países, com 73% de autores residentes no Brasil. Em relação ao número de autores por espécie, a maioria das espécies novas teve dois autores e o máximo foi de cinco autores por espécie.

Na internet

Para acessar o Anuário Hexapoda na íntegra, acesse este link: https://www.entomobrasilis.org/index.php/ebras/article/view/v15.e1000.

Levantamento será manual

De acordo com Alberto Moreira da Silva Neto, com base na produção e estimativas, o levantamento mostrou os números de insetos que se faltam ainda conhecer no Brasil. Um exemplo é a Leptopdera, uma ordem de insetos que inclui as borboletas e mariposas.  Segundo o estudo, faltam 1.530 anos para que se conheça toda a real diversidade de borboletas no país. Conforme ele, a produção do anuário é fundamental para se descobrir esse tipo de dados e também os investimentos financeiros necessários para o fomento do trabalho de pesquisa. 

Divulgação 

“Nós estamos já em produção do anuário de 2021. Nós vamos fazer um retroativo de 2018 e 2019 e só a partir do momento que nós teremos diversos anuários ao longo do tempo, nós vamos entender como está a força da taxonomia na descrição de novas espécies e qual a necessidade de investimentos financeiros para a taxonomia e outros”, ressaltou ele, citando outros questionamento que deverão ser apresentados nos próximos trabalhos. 

“Perguntas que nós vamos fazer nos próximos anuários que nós não fizemos nesse como, por exemplo, da onde que estão vindo essas espécies novas?. A maioria está no Sudeste, mas eles estão estudando espécies de onde?. Da Mata Atlântica?. Da Amazonia?. No ano de 2021, nós vamos adicionar o local de onde vieram as especiais novas e o local onde elas estão sendo depositadas, é na coleção do Inpa?. Nós vamos prosseguir com o novo anuário”, finalizou.

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