Expansão da produção impulsiona economia local, fortalece empreendedores e leva café amazonense ao mercado nacional e internacional
Produção de café no Amazonas registra crescimento recorde (Divulgação)
A cultura cafeeira tem se difundido em diversos municípios do Amazonas nos últimos anos. Entre 2021 e 2025, a área plantada de café no estado passou de 517,81 hectares para 2.312,2 hectares, representando um aumento de 340%. Somente no ano passado, a produção estadual alcançou a marca de 2,8 mil toneladas de café genuinamente amazonense.
Segundo a superintendente do Sebrae Amazonas, Ananda Carvalho, no Amazonas tem surgido uma nova safra de empreendedores que compreendem o valor agregado do café regional.
“Seja em Silves, Rio Preto da Eva, Presidente Figueiredo ou Apuí, esses produtores e empresários são protagonistas de uma transformação econômica e inteligente que respeita a floresta. O Sebrae Amazonas se faz presente em toda essa engrenagem, transformando o potencial técnico em negócios viáveis e rentáveis. Ao investirmos em capacitação e inovação para a indústria e o comércio de bebidas, não estamos apenas vendendo café, mas fortalecendo a identidade produtiva do Amazonas e gerando autonomia para as famílias que vivem desse valioso grão", destaca a diretora superintendente do Sebrae Amazonas, Ananda Carvalho.
Para o diretor de produção e um dos fundadores do Apuí Café, Jônatas Macedo, um dos grandes desafios no Amazonas é construir essa cultura cafeeira, além de manter a produtividade nas associações e empresas.
“Aqui temos desafios relacionados à adubação, estrutura orgânica e insumos. Às vezes nos perguntamos: será que essa atividade faz sentido para mim? Estamos no sul do Amazonas e tudo chega com mais dificuldade. Os recursos são limitados e precisamos de parceiros para desenvolver a economia da região”, afirmou Macedo.
De acordo com o diretor de produção, a empresa tem realizado vendas para a Holanda e a Inglaterra, além de manter conversas com marcas nacionais de cápsulas de café e até com estabelecimentos voltados para a área de cosméticos.
“Temos trabalhado para levar o café orgânico para o Brasil e o mundo. Temos ganhado projeção. Aqui na região de Apuí, contribuímos para a economia local: estamos produzindo, torrando, contratando diaristas, utilizando tratores, caminhões e transportadores, tudo voltado ao comércio. Fico feliz que o tema da cultura cafeeira esteja se tornando mais relevante no Amazonas, e recentemente Apuí foi considerada a capital amazonense do café”, destacou Jônatas Macedo.
De acordo com o cafeicultor Roque Lins, coordenador da Associação Solidariedade Amazonas (ASA), os cafés produzidos no município de Silves são feitos por associados e todos eles acabam beneficiados com uma máquina de descascamento. Com isso, o produtor da região tem a opção de torrar, vender para outros mercados, moer e também comercializar diretamente ao consumidor em feiras.
“Hoje temos essa máquina, que foi adquirida por meio de emendas parlamentares do deputado João Luiz, que fomenta esse trabalho no município de Silves. Esse café produzido aqui é vendido ao consumidor por R$ 90 o quilo, e atualmente os agricultores preferem estocar parte da produção e também vender em feiras. Trabalhamos com áreas pequenas, mas com tecnologia de produção, focando em cafés especiais e de qualidade”, comentou Roque Lins, que, em 2024, ficou entre os dez melhores produtores de cafés do Brasil na 7ª edição do Concurso Florada Premiada, promovido pela empresa Três Corações durante a Semana Internacional do Café (SIC), em Belo Horizonte (MG).
Conforme o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), em 2021 o Amazonas apresentava uma produção de 555,95 toneladas, com 517,81 hectares de área plantada e 600 cafeicultores. Quatro anos depois, com os primeiros resultados do cultivo da nova variedade, em 2025, a produção chegou a 2.815,01 toneladas, com 2.312,2 hectares de área plantada e 1.411 cafeicultores.
Apuí se destacou em 2025 com a maior produção no estado, alcançando 1.011,2 toneladas, 1.006 hectares de área plantada e 700 cafeicultores. Em segundo lugar está o município de Humaitá, com uma safra de 720 toneladas, seguido por Rio Preto da Eva, com 228 toneladas.
Destacam-se também Vila Extrema, distrito de Lábrea, e os municípios de Envira, Guajará, Presidente Figueiredo, Silves e São Sebastião do Uatumã que, juntamente com Apuí, Humaitá e Rio Preto da Eva, compõem os municípios inseridos nos Projetos Prioritários (PP) do Café.