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Atingido por incêndio, antigo prédio do Basa guarda legado da arquitetura moderna de Manaus

Projetado por Severiano Porto, imóvel inaugurado em 1979 era referência da arquitetura amazônica e integra patrimônio histórico do Amazonas

Amariles Gama
03/09/2026 às 19:25.
Atualizado em 03/09/2026 às 19:25

Histórico edifício foi atingido por incêndio nesta quinta-feira (Foto: Junio Matos)

Destruído por um incêndio nesta quinta-feira (3), o antigo prédio do Banco da Amazônia (Basa) estava entre os imóveis históricos a serem revitalizados pelo programa “Nosso Centro”, da Prefeitura de Manaus. Localizado na Avenida 7 de Setembro, o prédio, de autoria dos arquitetos Severiano Mário Porto e Mário Emílio Ribeiro, seria transformado em um novo centro cultural e escola gastronômica, que levaria o nome daquele que ficou conhecido como o “arquiteto da floresta”. 

Lançado em 2021, o programa Nosso Centro traz a proposta de transformar áreas históricas da capital com projetos de requalificação de espaços públicos, valorização do patrimônio cultural e incentivo ao desenvolvimento econômico e turístico. Segundo a Prefeitura, já foram mais de R$ 70 milhões do Tesouro Municipal investidos na reabilitação dos espaços. 

O antigo prédio do Basa estava previsto para a segunda etapa do programa. Em 2024, a Prefeitura assinou um acordo de comodato, via Instituição Basa, para a construção do Museu da Gastronomia Amazônica, Espaço Severiano e Escola, com cessão do imóvel pelos próximos 15 anos e opção de compra. A proposta era recuperar a arquitetura original do prédio e homenagear a obra de Severiano, o arquiteto da floresta. 

Arquiteto mineiro radicado em Manaus, Severiano Porto foi responsável por obras memoráveis na capital amazonense, como a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), o Campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o Centro Integrado Clube do Trabalhador do Serviço Social da Indústria (Sesi), entre outros imóveis. 

Severiano ficou reconhecido por obras que uniam técnicas tradicionais e materiais da região à modernidade do concreto e do aço. O uso de madeiras amazônicas, grandes áreas abertas, treliças e soluções para favorecer a ventilação natural eram algumas das características de seus projetos. 

No antigo Basa, essa relação com a região aparecia nos grandes troncos de madeira usados nas entradas, nas treliças da fachada e na combinação desses elementos com a estrutura de concreto e vidro. Inaugurado em 1979, o prédio se tornou uma referência da arquitetura moderna produzida na Amazônia. 

O imóvel também fazia parte das 29 obras de Severiano Porto protegidas pela legislação estadual por seu valor histórico, cultural e arquitetônico. 

O incêndio desta quinta-feira atingiu um prédio que, além de fazer parte da história arquitetônica de Manaus, aguardava uma nova função dentro do projeto de revitalização do Centro Histórico.

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