Esportes

Volante de 16 anos busca espaço no futebol de São Paulo

Eglaudio Filho assina com o Capivariano-SP para disputar o Campeonato Paulista Sub-20

Daniel Prestes
19/09/2026 às 16:54.
Atualizado em 19/09/2026 às 16:54

Atualmente no Capivariano, Eglaudio treina com a equipe sub-20 e pode entrar em campo pelo Campeonato Paulista da categoria, que está sendo disputado neste período de 2026 (Divulgação)

No Brasil, o sonho de se tornar jogador profissional de futebol é uma realidade que motiva jovens de Norte ao Sul do país. E um desses sonhos, nasceu na zona Leste de Manaus e, atualmente, encontra-se em São Paulo, local onde concentra-se o maior número de atletas de base registrados em competições oficiais das federações. O volante Eglaudio Filho, de 16 anos, mais conhecido como “Filho Manaus”, atualmente assinou contrato com a equipe do Capivariano-SP, para jogar o Campeonato Paulista sub-20.

Entretanto, antes de desembarcar em São Paulo, precisamos voltar uma década atrás. Quando o ex-morador do bairro Aleixo tinha apenas seis anos. Foi com a ajuda de seus pais que Eglaudio teve sua primeira experiência em um time, sendo levado ao Instituto São José. Em entrevista exclusiva ao CRAQUE, caderno de esportes de A Crítica, o jovem conta quais foram as principais experiências desta época.

"A maior lembrança é a alegria e a liberdade que eu tinha de jogar quando era criança. Aos seis anos, quando eu não tinha muita noção das coisas, eu não pensava em carreira, mas, ao mesmo tempo, tinha em mente o sonho de ser um grande jogador, sei que parece contraditório, mas eu tinha seis anos. Só que assim, eu só queria jogar com alegria e sem preocupação. Hoje, já no sub-20, o futebol tem muita cobrança e, o que ajuda a manter o equilíbrio e a lembrança da infância. Eu preciso preservar aquele pequeno menino de Manaus dentro de mim", contou Eglaudio Filho.

Os primeiros testes fora de Manaus

Quatro anos depois, Eglaudio Filho foi levado ao Ceará para fazer testes em clubes locais. Desta forma, o menino passou no Ceará SC, após uma semana de avaliações. No Vozão, Filho disputou competições como: Taça Liga Ceará, a Copa Norte-Nordeste de Futsal e a Liga Norte-Nordeste de Futsal. A experiência no tradicional clube nordestino durou quase um ano e precisou ser interrompida devido ao agravamento da pandemia do Covid-19.

“Em 2021, retornei a Manaus devido à pandemia e voltei a atuar pelo Instituto São José. No entanto, em 2022, passei por diversos times em Manaus, embora sem um contrato fixo, incluindo Inter Academy, Verona CDB e Guerreirinhos. Foi então que, em 2023, recebi o convite para integrar o Recanto da Criança. Foi nesse clube que permaneci por mais tempo, tendo a oportunidade de viajar para jogar em Recife e em Brasília”, contou Eglaudio.

Ao ser perguntado sobre os maiores desafios, tanto físico como psicológico, de sair de Manaus para buscar espaço em grandes centros como o Ceará e, depois, São Paulo, Eglaudio respondeu.

"No meu caso, sair de Manaus, ir para o Ceará e depois para São Paulo foi um desafio muito grande. Principalmente pelo lado psicológico. Por eu ser uma criança, fica longe da família, dos amigos, de tudo que eu conhecia e das pessoas que eu amo. Fisicamente também foi uma adaptação, pois a intensidade dos treinos e dos jogos são muito altas. Mas isso acabou me fazendo evoluir, não só como jogador, mas como pessoa", disse Eglaudio Filho.

Chegada à São Paulo

Enquanto atuava no futebol amazonense, Eglaudio foi visto pelo diretor de futebol do Fast Clube, Paulinho Nascimento. A partir deste momento, o dirigente conversou com os pais do atleta e realizou a ponta para que Eglaudio assinasse com o Esporte Clube Meia Noite SAF.

“Após as conversas, no dia 14 de julho de 2024, viajei para integrar o Esporte Clube Meia Noite SAF. Lá, disputei meu primeiro Campeonato Paulista de Futebol, tive a oportunidade de jogar a famosa Copa São Paulo de Futebol Jr. (Copinha) e vivi a grande experiência de enfrentar a Seleção Brasileira Sub-16”, elabora Eglaudio Filho.

Filho contou mais detalhes sobre a experiência de disputar a sua primeira Copinha e do amistoso que realizou na Granja Comary contra a Seleção Brasileira Sub-16.

“Foi uma sensação boa, que é até difícil de explicar. Jogar a Copinha era um sonho que eu tinha de jogar desde quando eu ouvi falar pela primeira vez. E sobre jogar contra a Seleção Brasileira Sub-16, os melhores da minha geração, foi marcante. Eu entrei em campo pensando que é aqui que eu quero estar. Não fui só para admirar o futebol deles, eu fui para competir e mostrar o meu futebol. Mas o que ficou marcado para mim é que eu consegui competir no mesmo nível que eles”, frisou Eglaudio.

Volante moderno

Com o aumento da intensidade no futebol, uma das posições que sofreram mais alterações foi a do volante. Se, antigamente, o camisa 5 tinha a missão de destruir jogadas e passar rapidamente para a construção do camisa 10. Da década passada para os tempos atuais, são os próprios defensores que participam da construção da jogada desde o bloco médio e fazendo infiltrações na organização ofensiva.

Nascido no último ano da geração Z (1997 a 2010) e início da geração Alfa (2010 a 2025), Eglaudio está crescendo com essa ideia do volante moderno e tem como inspiração o brasileiro/espanhol Thiago Alcântara.

"Eu me considero um volante bem criativo. Gosto muito de ter a bola no pé, buscar espaços e criar as jogadas. Eu gosto bastante do drible curto, fazer pressão e improvisar. Sempre que aparece uma situação diferente no jogo, querendo ou não, você tem que improvisar. Acho que o meu estilo é muito baseado nisso. Gosto de ter liberdade para pensar. Assim posso tentar algo que o adversário não esteja esperando", concluiu.

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