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Impactos das mudanças climáticas na prática esportiva são debatidos em mesa-redonda

Evento reuniu especialistas para debater os efeitos do calor extremo e das secas na saúde, no altorrendimento e na rotina de exercícios no Estado

Jéssica Santos
14/09/2026 às 21:38.
Atualizado em 14/09/2026 às 21:38

(Foto: Daniel Brandão)

A Faculdade de Educação Física da Estácio, localizada na Av. Constantino Nery, realizou, nesta segunda-feira (14), a mesa-redonda "Mudanças Climáticas e os Movimentos da Amazônia: Desafios e Perspectivas para a Educação Física".

O evento, parte da Semana do Profissional de Educação Física, reuniu grande público composto por estudantes de Educação Física, Fisioterapia e áreas correlatas no campus de Manaus.

A abertura das discussões ficou a cargo do Prof. Dr. Leonardo Vergasta, do LABLIM, que apresentou dados sobre a evolução das transformações climáticas na Amazônia e seus efeitos diretos no cotidiano da população.

 Vergasta destacou a realidade dos ribeirinhos de municípios como Careiro da Várzea, que enfrentam o isolamento geográfico durante as estiagens severas e ficam impossibilitados de realizar atividades esportivas e de lazer.

"Quando o rio seca, ele não tá mudando só a sua paisagem. De fato, para vocês da Educação Física, a seca também acaba levando toda essa essa... Esse amparo de ter essas comunidades e até mesmo dentro da nossa própria cidade, né? A gente vê que os novos tempos que nós estamos vivendo hoje, dias mais quentes, dias com fumaça, as atividades físicas rotineiras acabam se tornando mais dificultosas."

No âmbito urbano da capital amazonense, o pesquisador enfatizou as ilhas de calor, revelando que o bairro Dom Pedro chega a registrar temperaturas até 5°C acima das médias aferidas em trechos de florestas urbanas da cidade.

Além dos efeitos diretos da estiagem na rotina das comunidades e nos esportes, o professor mostrou que a análise climatológica aponta para uma elevação contínua das temperaturas médias regionais nos últimos anos. Os dados indicam uma intensificação das ilhas de calor nas áreas urbanas e projeções alarmantes para o futuro, que incluem o prolongamento da estação seca e o aumento global da temperatura local, afetando a qualidade de vida e a saúde dos cidadãos.


Em seguida, a Prof.ª Esp. Margareth Bahia, representante da FEDAEAM e treinadora do atleta olímpico Pedro Nunes, abordou os desafios metodológicos de treinar atletas de alto rendimento sob o clima de Manaus.

Margareth reforçou a importância de adaptar a intensidade dos treinos, os horários e o planejamento das competições para evitar o desgaste físico extremo, a desidratação e os riscos à saúde dos esportistas durante suas rotinas de preparação.

O encerramento do debate contou com o Prof. Dr. Marcelo Marques, pesquisador e docente da FITI Academia, que apresentou análises sobre o papel dos centros de treinamento e da comunidade acadêmica no suporte aos praticantes de exercícios em períodos de calor intenso.

Marques abordou como a pesquisa científica pode contribuir para a construção de projetos, programas e estratégias de Educação Física adaptados aos novos contextos climáticos, aproximando a produção científica da intervenção profissional.

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