Arbitragem

Árbitra Anne Kesy fala da experiência na final do sub 20 e dos planos para Copa em 2027

Além da final, Anne Kesy, juntamente com Charly e Fernanda, estiveram em outros três jogos: França x Coreia do Sul; China x Nigéria e Coreia do Norte e Japão.

acritica.com
04/10/2026 às 11:30.
Atualizado em 04/10/2026 às 14:09

(Foto: Daniel Brandão)

No último domingo, Espanha e Coreia do Norte decidiram o título da Copa do Mundo Feminina Sub-20, com a Fúria saindo campeã. Apesar da Seleção Brasileira ter sido eliminada nas quartas de final, o país esteve representado pelo trio de arbitragem brasileiro, que apitou a decisão e com a assistente amazonense Anne Kesy Gomes de Sá compondo o grupo formado por Charly Deretti e Fernanda Nandrea.

O trio brasileiro foi o único do total de 68 oficiais de arbitragem selecionadas pela FIFA, formado por 18 árbitras, 36 árbitras assistentes e 14 árbitras de vídeo (VMOs), representando todas as confederações do futebol mundial. Além da final, Anne Kesy, juntamente com Charly e Fernanda, estiveram em outros três jogos: França x Coreia do Sul; China x Nigéria e Coreia do Norte e Japão.

(Foto: Daniel Brandão)

 Para Anne Kesy estar na Copa do Mundo representou a realização de um sonho, além da valorização de um trabalho, já que no ano passado, ela chegou a ser convocada para apitar a Copa do Mundo Sub-17.

“Ano passado já foi uma grande surpresa ser convocada pra Copa do Mundo Sub-17 e, neste ano, para o Sub-20 foi uma surpresa ainda maior sentimento de que o trabalho que eu venho desenvolvendo está sendo visto e está valendo a pena porque é como se fosse a continuação de um trabalho”, comentou.

Sobre a final, ela conta que existia uma expectativa já que o Brasil caiu diante da Espanha nas quartas de final. Com uma final entre uma seleção europeia e uma asiática, as chances aumentaram e ficaram entre o trio brasileiro, o mexicano e o estadunidense. Até que saiu a escalação para a decisão de terceiro lugar com o trio de arbitragem do México e com a quarta e quinta árbitra dos Estados Unidos.

“Ali nós já ficamos com o coração mais esperançoso e que a chance de estar na final era muito grande e quando falou o nome da nossa equipe, foi um momento de muita emoção para o nosso trio. Pra mim foi a realização de um sonho e realização de que o trabalho que eu venho desenvolvendo há dezesseis anos está sendo recompensado. Um momento de ápice na carreira”, explicou Anne, que trabalha com as outras duas árbitras há pouco mais de um ano, o que contribui para o entrosamento e o desenvolvimento do trabalho em equipe.

“Ocorre muito isso da equipe encaixar, ter um bom entrosamento e permanecer, então a Charly, que é a nossa árbitra, ela está aí no processo do mundial do ano que vem e eu e a Fernanda a gente faz parte do trio dela. Ano passado a gente fez uma excelente competição e esse ano continuamos e fizemos uma grande competição e também com as oportunidades aqui no Brasileiro da gente trabalhar juntas também conta muito pra FIFA que o nosso trio é um trio forte né no Brasil que bastante então isso é muito bacana pra gente”, explicou.

Neste ano, Anne Kesy já esteve em oito jogos da Série A do Campeonato Brasileiro. No próximo dia 10, ela fará o nono durante o confronto entre São Paulo e Vitória, no MorumBis. A quantidade já é maior do que a do ano passado, quando esteve em seis partidas da primeira divisão.

EXPECTATIVA

Além do reconhecimento, a presença numa decisão de Copa do Mundo sub-20 aumenta as expectativas para constar na lista de outros eventos da FIFA, como a Copa do Mundo Feminina, que acontece em 2027, no Brasil. E mesmo recém-chegada de um Mundial, Anne Kesy diz que já começou a pensar no que ela chama de ‘ciclo de oito meses’ de preparação para estar apta e aumentar as chances de convocação.

“A gente vem se fortalecendo e entregando um grande trabalho dentro de campo, então não está mais nas nossas mãos. Tudo que a gente pode fazer, estamos fazendo pra estar nesse Mundial do ano que vem. Nós temos a Edna [Alves Batista], que é a nossa referência e que, com certeza vai pra Copa, temos a Daiane Muniz, que também é um árbitra que já vem no processo há muito tempo e temos a Charly, então são três trios brasileiros muito fortes. E a gente torce pra que a convocação seja de três trios brasileiros pra que todas possam participar desse grande momento. Assim que voltei para o Brasil, já falei para o meu namorado que são oito meses já para o próximo ciclo. Então, a preparação vai continuar e agora cada vez mais forte porque se essa convocação realmente chegar, eu tenho que estar preparada”, explicou a assistente que faz parte do quadro da Fifa em 2022 e, desde então, vem sendo chamada para competições internacionais.

PREPARAÇÃO

A Copa do Mundo Feminina no Brasil está marcada para começar no dia 24 de junho, mas a convocação da arbitragem acontece dois meses antes do pontapé inicial. Portanto, até abril, a expectativa é de muito treino e estudo pela frente.

“A gente conta com um trabalho de grandes jogos na CBF: fazer Série A, Série B e se mantém nesse nessa constância. Aí também entra a parte técnica, de treinamentos técnicos, tudo que a gente pode fazer para estar refinando nossas habilidades. Além disso, também tem a parte física porque a exigência para o teste físico ela é um pouco maior, essa é uma Copa do Mundo Principal, então são vários fatores, várias habilidades que a gente tem que ir refinando para quando chegar o ano que vem estar 100%".

Para que este refino aconteça, Anne Kesy precisa de tempo e recursos a fim de se preparar, o que ficou mais acessível desde a profissionalização da arbitragem, que foi anunciada em janeiro deste ano e que tem a assistente como única amazonense integrante da lista da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

"A profissionalização é um grande marco para a arbitragem brasileira, para o futebol brasileiro porque hoje o árbitro pode se dedicar 100% a isso. Hoje posso fazer um curso de inglês, eu posso fazer uma preparação com um nutricionista, uma preparação com fisioterapeuta. Então eu consigo dividir mais o meu tempo em treinamentos voltados para a arbitragem e este é um grande diferencial para o avanço do profissional”, comentou, frisando o desafio de se manter no quadro da Fifa e Conmebol.

“A gente costuma falar que é difícil chegar, mas quando chega é mais difícil ainda se manter, então todo ano eu busco dar o meu melhor nos jogos e me manter em alto nível para quando chegar final do ano, estar nessa renovação de lista e permanecer FIFA. Todos os anos eu faço pelo menos duas competições da Conmebol, então isso é muito bom porque eu sempre estou ali no cenário da FIFA, então acho que isso é muito válido pra mim a permanência no quadro”.

Além da realização pessoal, Anne Kesy também falou do orgulho de chegar ao patamar onde está e representando o estado onde nasceu. Ela contou que chegou a ter convites para outros estados, onde há times na Série A do Brasileiro, mas que preferiu permanecer no Amazonas.

“Para mim tem um gosto muito especial. Antes de ser FIFA, nessa minha longa trajetória pela arbitragem, eu tive convites de ir para outros estados. As pessoas me falavam: vai para outro estado, que estar no Amazonas é muito difícil e eu falei não, eu vou ser FIFA e vou ser FIFA no Amazonas.

Então eu tenho muito orgulho de ser amazonense e de poder representar o meu estado a nível mundial”, concluiu.

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