Para o historiador, advogado e acadêmico titular da Cadeira nº 22 da Academia Amazonense de Letras, Robério Braga, a iniciativa reafirma o papel da instituição na vida cultural do Amazonas e a importância de compartilhar esse patrimônio com a sociedade.
(Foto: Divulgação)
Uma casa guarda muito mais do que paredes, móveis e objetos antigos. Em seus espaços, permanecem histórias, ideias e vestígios de gerações que ajudaram a construir a identidade de um povo. É com essa perspectiva que a Academia Amazonense de Letras retoma, após quatro anos, o projeto Academia de Portas Abertas, iniciativa que convida a população a conhecer de perto o patrimônio literário e cultural preservado pela instituição centenária. A primeira edição da retomada acontece no dia 11 de outubro, com uma programação que busca aproximar leitores, escritores, artistas, crianças e famílias da história da Casa de Adriano Jorge.
Para o historiador, advogado e acadêmico titular da Cadeira nº 22 da Academia Amazonense de Letras, Robério Braga, a iniciativa reafirma o papel da instituição na vida cultural do Amazonas e a importância de compartilhar esse patrimônio com a sociedade.
(Foto: Arquivo A CRÍTICA)
“A Academia Amazonense de Letras é uma instituição centenária, que tem entre suas responsabilidades não apenas cultivar a literatura, mas também preservar a memória, a história e a identidade cultural do nosso povo”, afirma.
PROGRAMAÇÃO
Iniciado durante a gestão do presidente José Braga e ampliado por seus sucessores, o projeto retorna com o propósito de fortalecer a relação entre a Academia e a comunidade. Para Robério, a aproximação é essencial para que o espaço não seja visto como um ambiente restrito aos seus integrantes. “Retomá-lo significa reafirmar que uma instituição cultural cumpre melhor sua missão quando permite que a população conheça, participe e se aproprie desse patrimônio. A Academia não pode ser percebida apenas como um espaço reservado aos seus membros. Ela pertence à história do Amazonas e deve estar cada vez mais próxima das pessoas”, destaca.
A programação foi pensada para transformar a visita em uma experiência de contato com a história e as manifestações artísticas. Nesta edição, as crianças recebem atenção especial, com visita teatralizada, atividades literárias e apresentações culturais. A proposta é despertar a curiosidade dos pequenos e aproximá-los do patrimônio de maneira lúdica, sem deixar de envolver os adultos.
“A Casa de Adriano Jorge guarda referências importantes da trajetória literária e cultural do Amazonas, e queremos que as pessoas reconheçam o valor desse espaço como lugar de memória viva”, explica Robério. Ao falar sobre a presença das crianças, ele ressalta que a formação cultural começa cedo e depende de oportunidades de contato com diferentes formas de conhecimento. “Nesta edição, a presença das crianças tem um significado especial. É na infância que se formam muitos dos vínculos com a leitura, a arte e a história.”
Robério destaca que essas manifestações se complementam e ampliam as possibilidades de contato com a cultura. “A literatura não está dissociada das demais manifestações artísticas. Ela dialoga com o teatro, com a música, com a oralidade e com as diferentes formas pelas quais um povo expressa seus sentimentos, suas experiências e sua visão de mundo”, afirma. Para ele, cada atividade tem um papel nessa aproximação: “A visita teatralizada transforma a história em experiência; o sarau estimula a leitura e a expressão; os lançamentos aproximam os leitores dos autores e de suas obras; e a música amplia esse encontro por meio da sensibilidade artística”.
A programação também representa uma oportunidade de dar visibilidade à produção literária e artística do estado. Segundo o acadêmico, é importante que a população reconheça a diversidade dessa produção, construída por diferentes gerações. “É importante que o público compreenda que a cultura amazonense possui uma produção rica, construída por diferentes gerações, e que a Academia tem o dever de contribuir para sua divulgação, preservação e renovação”, ressalta.
A retomada do projeto também abre espaço para valorizar a produção literária e artística do Amazonas, aproximando o público de autores, obras e manifestações culturais de diferentes gerações. A iniciativa reforça o compromisso da instituição com a preservação da memória cultural do estado e a difusão de seu patrimônio.
“Nossa expectativa é que o retorno do projeto fortaleça a presença da Academia na vida cultural de Manaus e estimule um interesse crescente da população por sua história, por seus escritores e pelo patrimônio que ela preserva”, conclui Robério. Para ele, a continuidade da proposta depende da capacidade de manter a instituição próxima da comunidade e aberta a novas experiências culturais.