Sétima arte

Filme dirigido pela amazonense Christiane Garcia é selecionado para o FESTin 2025

"Enquanto o Céu Não Me Espera” leva a realidade ribeirinha para mostra competitiva em Portugal. A exibição está marcada para o dia 6 de junho, no Fórum Lisboa

Gabrielly Gentil
03/06/2025 às 17:40.
Atualizado em 03/06/2025 às 17:40

O longa foi gravado em Manaus, incluindo a comunidade Marrecão em Manacapuru, Iranduba e as margens do Rio Negro (Foto: divulgação)

A Amazônia ganha destaque no cenário internacional. O longa “Enquanto o Céu Não Me Espera”, escrito e dirigido pela cineasta amazonense Christiane Garcia, foi selecionado para a mostra competitiva de longa-metragem ficção do FESTin – Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa, que acontece de 2 a 8 de junho de 2025, em Lisboa, Portugal. A exibição está marcada para o dia 6 de junho, às 21h, no Fórum Lisboa.

Entre seis títulos na competição, o filme amazonense divide espaço com obras de cineastas consagrados, reforçando o prestígio da produção regional. Com atuações de Irandhir Santos, Priscilla Vilela e Maycon Douglas, o drama acompanha um agricultor da floresta amazônica que resiste às cheias enquanto tenta preservar suas memórias e sua terra. Distribuído pela Kajá Filmes, o lançamento comercial está previsto para 2026.

Ambientação

O longa foi gravado em cenários reais da região de Manaus, incluindo a comunidade Marrecão, em Manacapuru, Iranduba e as margens do Rio Negro. Esses locais conferem ao filme uma estética autêntica e fiel à realidade ribeirinha.

“A construção da narrativa tem como base a minha própria experiência nas margens do rio Maués-açu, no município de Maués. É uma perspectiva feminina que compreende a relação íntima entre os ribeirinhos e os ciclos da natureza. A Amazônia é frequentemente retratada pelo olhar de um visitante, quase nunca pelo dos próprios ribeirinhos. É nesse lugar que ‘Enquanto o Céu Não Me Espera’ desenvolve sua narrativa”, explica Christiane.

Desafios

Gravar em áreas ribeirinhas e na floresta trouxe desafios, especialmente nas cenas de agricultura familiar e nas sequências que envolvem a cheia dos rios. “As cenas com colheita e tratamento da juta apresentaram perigos reais, como arraias, cobras e jacarés. Houve cuidado técnico e com a segurança para que tudo ocorresse sem intercorrências”, conta a diretora.

Além disso, a equipe precisou se adaptar ao movimento real da cheia, inclusive construindo uma casa cenográfica para simular as fases da enchente. “Tivemos que readequar o plano de filmagem para obedecer à subida das águas”, complementa.

Imersão

Para garantir a veracidade nas interpretações, o elenco realizou uma imersão na residência de uma família de juticultores ribeirinhos, às margens do rio Solimões, vivendo uma rotina similar à dos personagens retratados. Christiane destaca que o filme traz a perspectiva de quem vive a região.

“É comum ver filmes sobre a Amazônia narrados por outsiders, estrangeiros ou visitantes. Enquanto o ‘Céu Não Me Espera narra a Amazônia’ pelo olhar de uma mulher amazônida, construída a partir da minha vivência. O personagem principal representa todos os ribeirinhos que vivem em resistência e respeito aos ciclos da natureza”.

Representatividade

Para Garcia, levar essa história tão enraizada na Amazônia para festivais internacionais é um marco importante para o cinema regional e nacional.

“É meu primeiro longa de ficção e, desde a estreia nacional no Festival de Brasília e internacional em Havana, o filme tem sido bem recebido pelo público e crítica. Isso me deixa feliz, pois reflete o amadurecimento do nosso audiovisual como expressão cultural. Nosso potencial criativo alcança janelas importantes que consolidam o cinema do Amazonas na retomada do cinema brasileiro e nos coloca no radar para maiores investimentos”.

O reconhecimento em festivais como o FESTin reforça o protagonismo da produção amazônica no cenário do cinema brasileiro contemporâneo. Ao ocupar espaços de prestígio internacional, obras como “Enquanto o Céu Não Me Espera” não apenas ampliam a visibilidade da região, mas também reafirmam a potência criativa, cultural e simbólica de narrativas enraizadas na Amazônia.

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