Premiado mais uma vez como o melhor restaurante da Região Norte e novamente reconhecido pelo Guia Michelin, chef vê a gastronomia amazônica assumir um papel de protagonismo no Brasil e no mundo
(Foto: Rubens Kato/divulgação)
Poucos chefs conseguiram traduzir a Amazônia para o prato com tanta autenticidade quanto Felipe Schaedler. À frente do Banzeiro, em Manaus, ele acaba de celebrar mais um importante reconhecimento nacional: pela terceira vez, o restaurante foi eleito o melhor da Região Norte pela revista Prazeres da Mesa, reforçando uma trajetória construída há quase duas décadas em torno dos ingredientes, dos sabores e das histórias da floresta.
A conquista acontece em um momento especial. O Banzeiro completa 17 anos e segue acumulando reconhecimento dentro e fora do país. Neste ano, o restaurante voltou a figurar no Guia Michelin, uma das mais importantes referências da gastronomia mundial.
Para Schaedler, os prêmios representam muito mais do que uma conquista pessoal.
“Esse prêmio representa muito para o Amazonas. É uma revista muito importante reconhecendo um restaurante de Manaus como o melhor da Região Norte. Isso nos enche de orgulho, mas também aumenta nossa responsabilidade de continuar fazendo um trabalho sério, bonito e cada vez mais profundo”, afirma.
Segundo ele, a gastronomia amazônica vive hoje um momento semelhante ao que outras cozinhas passaram nas últimas décadas ao conquistar espaço no cenário internacional.
“A gastronomia vive ciclos. Já vimos a cozinha japonesa ganhar o mundo, depois a peruana. Eu acredito que a Amazônia está dentro desse próximo grande movimento. É um lugar que as pessoas precisam conhecer, provar e entender”, destaca.
Mais do que ingredientes exóticos ou sabores inéditos, Felipe acredita que o interesse crescente pela região está ligado à busca por experiências autênticas. E a gastronomia tem desempenhado um papel fundamental nesse processo.
“A comida pode ser um destino. A culinária ajuda o mundo a enxergar a Amazônia não apenas como floresta, mas como cultura, criatividade, conhecimento e futuro.”
Ao falar sobre os ingredientes que melhor representam essa identidade, o chef evita escolher apenas um símbolo da região. Mas destaca dois produtos que considera essenciais para compreender a alma da cozinha amazônica: o tambaqui e as farinhas.
“O tambaqui é um peixe extraordinário, com enorme potencial de crescimento no mercado brasileiro. Já a farinha talvez seja um dos maiores patrimônios culturais da Amazônia. Ela fala de identidade, memória e pertencimento”, explica.
Essa relação afetiva com a região é também o que continua impulsionando sua carreira após tantos reconhecimentos.
“A Amazônia foi muito generosa comigo ao longo da vida. Eu sinto um dever de retribuir tudo o que ela me deu. É algo maior do que gastronomia. É um propósito de vida”, resume.
É justamente essa visão que Felipe levará para um jantar especial que acontece no próximo dia 18 de junho, no Moquém do Banzeiro. A convite da UZZO Empreendimentos, o chef assinará uma experiência gastronômica exclusiva para os futuros moradores do Leblon Adrianópolis.
Sem revelar todos os detalhes do menu, ele adianta que a proposta será provocar um novo olhar sobre ingredientes que fazem parte do cotidiano amazônico.
“Quero mostrar a diversidade que temos com mais curiosidade e encantamento. Vamos trabalhar ingredientes muito conhecidos, mas de formas diferentes, revelando possibilidades que muitas vezes passam despercebidas.”
Mais do que um jantar, a noite promete ser uma celebração da cultura amazônica através da gastronomia — exatamente o território onde Felipe Schaedler construiu sua trajetória e ajudou a transformar Manaus em um dos destinos gastronômicos mais interessantes do país.