No Sou Manaus 2026, vocalista Rodrigo Lima falou sobre a renovação do público e o caráter político do gênero após 35 anos de banda
Dead Fish celebrou o contínuo crescimento do hardcore. Foto: Jorge Alberto
O Dead Fish foi uma das atrações do Sou Manaus 2026 deste domingo (6), no palco Alfândega. De frente para o Rio Negro, o vocalista Rodrigo Lima relembrou a relação da banda com a cena local, saudando também quem participou do show realizado no Almirante em 2006. “Tudo fica mais bonito de frente pro Rio Negro”, comentou ele.
Em entrevista ao acritica.com, Rodrigo, de 50 anos, falou sobre a permanência do hardcore e a renovação do público após 35 anos de trajetória. Para ele, o gênero vive ciclos, mas não depende apenas de tendências.
A banda mantém a postura crítica como parte da identidade. Foto: Jorge Alberto
“O hardcore é cíclico porque ele não se deixa iludir por um certo hype. É mais uma escola estética, musical e política do que um produto”, afirmou.
Segundo o vocalista, o gênero atravessa atualmente um novo momento de crescimento, percebido primeiro fora do Brasil e que começa a chegar novamente ao país. “Agora a gente está chegando num pico. Lá fora a gente percebe isso, aqui a gente tem começado a perceber isso”, disse.
Dead Fish possui 35 anos de carreira. Foto: Jorge Alberto
Rodrigo também falou sobre ver jovens de 18 anos cantando músicas de uma banda que começou há mais de três décadas. “Eu tenho cinquenta anos e eu sei lá o que uma criança de dezoito anos vê em mim. Enfim, mas eu tô lá, fazendo meu papel e meu trabalho”, brincou.
Politizado desde o início da carreira, o Dead Fish também mantém a postura crítica como parte da identidade. Ao falar sobre a relação entre indignação e mobilização política, Rodrigo defendeu que o posicionamento ainda pode provocar mudanças.
O público foi conferir o show da Dead Fish. Foto: Jorge Alberto
“Eu acho que a postura política gera mobilização política”, afirmou. Para ele, o Brasil vive um processo de maior conscientização e mobilização, enquanto a Amazônia continua sendo um tema importante no debate político e ambiental.
“Tenho me sentido um sul-americano hoje, na obrigação de estar com uma postura política pra salvar a América do Sul”, declarou.