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Mais de 20% dos estudantes dizem já ter feito apostas online, aponta pesquisa

Levantamento ouviu 1.912 alunos em todo o país e mostra que apostas começam ainda aos 11 anos; no 3º ano do ensino médio, índice chega a quase 50%

Agência Brasil
09/09/2026 às 10:32.
Atualizado em 09/09/2026 às 10:32

(Foto: Divulgação/ Senado Federal)

Mais de um em cada cinco estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio afirma já ter feito apostas online, as chamadas bets. É o que aponta um levantamento divulgado nesta quarta-feira (9) pela Frente Parlamentar Mista da Educação.

Segundo a pesquisa, 20,4% dos alunos entrevistados disseram já ter realizado apostas pela internet. O índice aumenta entre estudantes do 3º ano do ensino médio, chegando a 49,7% — quase metade dos pesquisados nessa etapa.

O levantamento foi realizado em parceria com a Equidade.info, iniciativa que produz dados para pesquisas, e ouviu 1.912 estudantes de 191 escolas de todo o país.

Um dos dados que mais chama atenção é a idade em que os jovens começam a ter contato com as apostas. Pelo menos 9,5% dos estudantes com até 11 anos afirmaram já ter feito apostas online.

Meninos apostam mais

A legislação brasileira proíbe o acesso de menores de idade às plataformas de apostas online. Ainda assim, o levantamento aponta uma presença significativa das bets entre crianças e adolescentes.

Os meninos aparecem como os que mais apostam: 27,8% afirmaram já ter utilizado plataformas de apostas, contra 12,6% das meninas.

No ensino médio, 41,7% dos estudantes do sexo masculino disseram já ter apostado. Entre os alunos dos anos finais do ensino fundamental, o percentual é de 19%.

A pesquisa foi realizada nos meses de agosto e setembro, por meio de entrevistas presenciais e questionários estruturados.

Perdas podem superar R$ 1 bilhão

O levantamento também estimou o impacto financeiro das apostas entre os estudantes pesquisados. Segundo a pesquisa, as perdas agregadas podem ultrapassar R$ 1 bilhão entre esse público.

Para o coordenador do estudo, Guilherme Lichand, medidas centradas exclusivamente no comportamento individual dos apostadores podem não ser suficientes para enfrentar o problema.

Segundo ele, estudos científicos indicam que estratégias utilizadas pelas próprias plataformas, como lembretes sobre perdas anteriores, não têm demonstrado resultados efetivos na redução da prática.

“Em vez disso, a proibição de propaganda e impostos relevantes sobre valores transacionados pelas bets colocam a responsabilidade nos atores corretos e têm efeitos comprovados sobre redução do risco de exposição”, destacou.

Educação financeira não basta

Outro dado apontado pelo estudo é que a educação financeira, isoladamente, não tem sido suficiente para impedir a exposição dos estudantes às apostas online.

De acordo com Lichand, alunos matriculados em escolas com maior proporção de estudantes com letramento financeiro apresentaram maior probabilidade de apostar e menor controle sobre ganhos e perdas.

Entre as recomendações apresentadas pelos responsáveis pelo levantamento estão o aumento da tributação sobre as transações realizadas nas plataformas, restrições à publicidade das bets e medidas específicas para ampliar a proteção de crianças e adolescentes.

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