Professores podem ajudar a perceber sinais do transtorno que afetam aprendizado, socialização e desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes
(Foto: Clóvis Miranda / Semcom)
Dificuldade de concentração, impulsividade, inquietação e problemas de organização estão entre os sinais que podem ser observados em crianças e adolescentes com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Como muitos desses comportamentos se tornam mais evidentes durante os primeiros anos da vida escolar, especialistas destacam a importância do olhar atento de professores e educadores para identificar possíveis sinais e orientar a busca por avaliação profissional.
O TDAH é uma condição neurobiológica de origem genética, caracterizada principalmente por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. A prevalência global estimada do transtorno varia entre 3% e 5%.
O ambiente escolar costuma ser um dos primeiros espaços em que as dificuldades relacionadas ao transtorno ganham maior visibilidade. A convivência diária, as atividades coletivas e as exigências de aprendizagem permitem observar comportamentos que podem passar despercebidos em outros contextos.
Segundo a especialista, estudantes com TDAH podem apresentar prejuízos acadêmicos, dificuldades de socialização e impactos emocionais quando não recebem acolhimento e acompanhamento adequados.
Entre os comportamentos mais frequentes estão a dificuldade para manter a atenção em tarefas, erros por descuido, problemas de organização, perda constante de objetos e distração diante de estímulos externos.
Também podem aparecer inquietação excessiva, impulsividade, dificuldade para esperar a própria vez e fala em excesso.
A presença desses comportamentos, no entanto, não significa necessariamente que a criança ou o adolescente tenha TDAH. O diagnóstico deve ser realizado por profissional especializado, a partir de uma avaliação clínica individualizada e do histórico comportamental e escolar.
As manifestações costumam começar ainda na infância. Pais, cuidadores e educadores devem observar principalmente comportamentos persistentes, como agitação acima da média, baixa tolerância à frustração e prejuízos contínuos no aprendizado e nas relações sociais.
O acompanhamento do TDAH pode envolver uma equipe multidisciplinar, com suporte psicológico, estratégias no ambiente escolar e, quando indicado, tratamento farmacológico.
Em 2025, a Sociedade Brasileira de Pediatria publicou um documento científico com informações sobre possibilidades terapêuticas para crianças e adolescentes com TDAH. Entre as opções estão medicamentos estimulantes e a atomoxetina, primeira terapia não estimulante comercializada no Brasil desde o fim de 2023.
Para ampliar o conhecimento sobre o transtorno dentro das escolas, foi criada a trilha on-line e gratuita “TDAH Levado a Sério na Escola”. A iniciativa é voltada à formação de educadores para identificação de possíveis sinais do TDAH e orientação pedagógica adequada.
O projeto foi desenvolvido pelo Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), com apoio institucional da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).
As escolas que tiverem pelo menos 50% do corpo docente participando da trilha poderão receber o selo “Esta escola leva o TDAH a sério”.
Criada em 2024, a iniciativa já alcançou mais de mil educadores de 220 escolas públicas e particulares em diferentes cidades brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Pouso Alegre.
A proposta faz parte da campanha “TDAH Levado a Sério”, que busca ampliar a conscientização sobre o transtorno e combater o preconceito e a desinformação. A ação reúne profissionais das áreas de psicologia, educação e psiquiatria para discutir os impactos do TDAH no desempenho escolar, nas relações sociais e no desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes.