Iniciativa governamental

Plano Brasil Soberano tem pouco impacto na Zona Franca, avalia Antonio Silva

Fieam afirma que perfil voltado ao mercado interno reduz exposição da ZFM às medidas para enfrentar o tarifaço dos EUA

Omar Gusmão
29/08/2026 às 09:43.
Atualizado em 29/08/2026 às 09:43

Presidente da Fieam, Antonio Silva destaca que o mercado interno é o principal destino da produção do PIM (Foto: Divulgação/Fieam)

Tem pouco impacto no ecossistema econômico da Zona Franca de Manaus (ZFM) a notícia de que o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, nesta quinta-feira (27), mudanças nas regras do Plano Brasil Soberano III, criado para proteger e financiar empresas e exportadores nacionais afetados pelo tarifaço imposto pelos EUA e por conflitos globais.

É o que atesta o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, muito embora reconheça a importância da iniciativa governamental. “O Plano Brasil Soberano atua como uma salvaguarda governamental oportuna para o setor produtivo nacional diante das recentes barreiras tarifárias norte-americanas e instabilidades globais. Institucionalmente, essas linhas de crédito são essenciais para garantir liquidez e competitividade às empresas com forte exposição ao mercado externo”, afirma.

Antonio Silva destaca que o mercado interno é o principal destino da produção do Polo Industrial de Manaus (PIM), daí não haver perspectivas de acesso maciço das indústrias que produzem aqui aos recursos disponibilizados pelo Plano Brasil Soberano III.

“Para o Polo Industrial de Manaus, os reflexos diretos desse tarifaço são consideravelmente diminutos. Como a vocação histórica da Zona Franca de Manaus concentra-se no abastecimento do mercado interno, nosso modelo econômico mitiga a exposição direta a essa crise comercial, retirando o parque fabril amazonense do epicentro que motivou a formulação do plano”, pontua.

O presidente da Fieam afirma que o posicionamento da indústria local é de precaução. “A perspectiva da indústria amazonense pauta-se pela cautela. A captação desses recursos pelas empresas locais dependerá de critérios de elegibilidade que abarquem os impactos indire- tos na cadeia de suprimentos, razão pela qual seguiremos monitorando as regulamentações com prudência, sem fomentar a irreal expectativa de que tais linhas de crédito sejam a solução principal para os desafios imediatos da nossa região”, declara.

O que mudou

A resolução aprovada pelo Conselho Monetário Nacional nesta quinta-feira (21) com mu- danças nas regras do Plano Brasil Soberano III amplia o acesso ao crédito para empresas dos setores de fertilizantes e minerais críticos e estratégicos.

Uma das alterações permite que fabricantes de adubos e fertilizantes, de produtos intermediários e empresas que extraem minerais usados nessa produção também tenham acesso a linhas de capital de giro. Até então, essas empresas podiam contratar crédito apenas para investimentos e compra de máquinas e equipamentos.

A mudança considera o ciclo financeiro do setor de fertilizantes, que costuma pagar pelos insumos importados no desembarque e receber dos produtores rurais de acordo com o calendário agrícola.

Outra medida reduz de até 8% para 3% ao ano o custo dos financiamentos destinados à compra de bens de capital e a investimentos de empresas industriais e tecnológicas ligadas à cadeia de minerais críticos e estratégicos. A redução pretende estimular no país etapas como beneficiamento, refino e transformação desses minerais.

O CMN também prorrogou até 31 de dezembro de 2027 o prazo para que as empresas protocolem pedidos de financiamento no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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