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Petrobras prevê alta produção até 2035 com Amazônia no centro da exploração

Amazonas é uma das frentes de exploração, com abertura de poços no Polo de Urucu, em meio ao enfraquecimento do debate sobre transição energética

Waldick Junior
21/09/2026 às 16:12.
Atualizado em 21/09/2026 às 16:12

(Foto: Cris Vicente I IBP)

Rio de Janeiro (RJ)* - A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta segunda-feira (21) que a empresa prevê manter uma alta produção de petróleo e derivados até a metade da próxima década. Além de enxergar a Foz do Amazonas, no Amapá, como o novo ‘pré-sal’, a Petrobras já anunciou a perfuração de 22 novos poços no Polo de Urucu, no Amazonas, enquanto o debate sobre transição energética é impactado com os conflitos mundiais, que tornaram mais instável o setor de petróleo.

“Nossa produção é crescente e permanecerá em alto patamar pelo menos até a metade da próxima década. E, olhando para frente, seguimos ampliando as fronteiras que vão sustentar a produção brasileira nas próximas décadas”, disse Magda.

A fala ocorreu durante a abertura do maior evento sobre energia do Brasil, ROG.e, realizado no Rio de Janeiro (RJ) pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), com patrocínio master da Petrobras. A programação vai até quinta-feira (24) e inclui uma série de debates sobre energia, óleo e gás com gigantes nacionais e internacionais do setor.

“Avançamos na Margem Equatorial [no Amapá], onde identificamos a presença de hidrocarbonetos, estamos avançando na Bacia de Pelotas, no Rio Grande do Sul, e assinamos, no último dia 17, oito contratos no mar da Costa do Marfim”, afirmou a presidente da Petrobras, também citando descobertas a desenvolver para exploração de gás natural na Colômbia.

Outro anúncio importante é uma nova meta que deve constar no Plano de Negócios 2027-2031, de tornar o Brasil autossuficiente em diesel. Hoje, a Petrobras entrega 70% do combustível consumido e a meta atual é alcançar 90%, mas o conflito entre Estados Unidos e Irã impactou a meta, disse Magda.

“Nos orgulhamos [dessa meta], principalmente nesse momento em que conflitos mundiais nos levam todos os dias a ver a importância da nossa indústria”, destacou.

Exploração na Amazônia

Embora não tenha citado em discurso, o Amazonas também faz parte dos planos de expansão da exploração. Em maio, durante agenda com o presidente Lula (PT), em Manaus, Magda Chambriard anunciou a aplicação de R$ 2,5 bilhões para perfurar 22 novos poços em Urucu entre 2026 e 2030.

O plano também inclui a instalação de cerca de 40 quilômetros de novas linhas de escoamento. A meta é elevar a extração em cerca de 4,4 mil barris de petróleo, somando-se aos atuais 105 mil barris produzidos diariamente na província.
Na Margem Equatorial, o plano de negócios 2026-2030 da Petrobras prevê um investimento de US$ 2,5 bilhões (cerca de R$ 12,7 bilhões) nos próximos cinco anos para a perfuração de 15 novos poços.

Transição energética

No mesmo plano de negócios, aprovado em novembro do ano passado, a Petrobras reduziu em R$ 17,65 bilhões os projetos relacionados à transição energética para os próximos anos, uma queda de 20,24%, considerando a cifra anterior, de US$ 16,3 bilhões (R$ 83,23 bilhões) para US$ 13 bilhões (R$ 66 bilhões).

No evento desta segunda-feira, Magda Chambriard mencionou a importância da transição energética e disse acreditar no setor de petróleo e gás como a base de financiamento para a economia de baixo carbono.

“Estamos gradativamente ampliando nossos investimentos em pesquisa e desenvolvimento para que isso aconteça, e pretendemos desenvolver modelos e ecossistemas de inovação para nossas fontes: combustível sintético, biocombustíveis, conversão de biomassa em produtos, produção de hidrogênio de baixo carbono, pequenos reatores nucleares modulares, armazenamento de energia de longa duração e outras soluções baseadas na natureza de captura e conversão de gás carburado”, afirmou.

Ela também pontuou que a Petrobras está em linha com as obrigações relativas ao Acordo de Paris e com os compromissos assumidos pelo Brasil no documento. Acrescentou, porém, que o país precisa ampliar sua produção per capita de energia, que hoje está abaixo da média mundial.

“Esse olhar para o futuro, que concilia soberania energética e desenvolvimento social, caminha junto com a transformação. Para nós, a transição energética precisa ser justa, precisa caber no povo. Mas descarbonizar a economia sem perder confiabilidade, estabilidade econômica e universalização do acesso à energia”, disse.

O repórter viajou a convite do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP)*

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