Festival de Parintins

Parintins 2026 impulsiona renda extra e combate dívidas no AM

A tradicional celebração da ilha encantada movimenta milhões para a economia amazonense

Lucas Motta
27/05/2026 às 13:43.
Atualizado em 27/05/2026 às 13:43

Especialista em educação financeira da Serasa, Aline Vieira (Foto: Jeiza Russo)

Um levantamento inédito da Serasa, divulgado nesta quarta-feira (27), mostra que 46% dos participantes do Festival Folclórico de Parintins pretendem trabalhar para complementar renda. Inadimplência de mais da metade da população adulta no Amazonas é um dos motivos para a busca por dinheiro extra.

A tradicional celebração da ilha encantada movimenta milhões para a economia amazonense, mas na 59ª edição da maior festa cultural a céu aberto do mundo a Serasa, em parceria com o instituto Opinion Box, identificou que quase metade dos participantes pretende trabalhar durante o festival. O levantamento conseguiu traçar as principais características desse público:

⁃ 66% terão a primeira experiência profissional no evento. 
⁃ 19% dizem já ter trabalhado em edições anteriores de maneira pontual. 
⁃ 15% afirmam atuar de forma recorrente nas festividades. 

A especialista em educação financeira da Serasa, Aline Vieira, explicou que o Festival Folclórico de Parintins é visto por 97% dos entrevistados como um dos grandes motores econômicos do estado no quesito da economia criativa / cultural, o que explica ele ser “procurado” pela classe que busca por renda extra.

“O festival tem um impacto além do cultural, eles percebem que tem um impacto local. Essas pessoas entendem essa relevância para a economia, sempre em busca de agregar renda e ter um planejamento financeiro e familiar robusto”, disse. 

Apresentação dos Bois Caprichoso e Garantido durante o lançamento da pesquisa

 Os dados mostram os setores que vão estar mais movimentados, em primeiro lugar a hospedagem (53%), seguida por alimentação e bebidas (48%), turismo e passeios locais (41%), transporte (41%) e comércio informal (38%). Quanto ao crescimento do faturamento, mais da metade dos entrevistados acredita que terão aumento superior a 40% na renda mensal durante o evento, enquanto 56% estimam ganhos acima de R$ 1 mil.

Corrida contra a inadimplência

O principal objetivo de quem vai em busca de renda extra é arrecadar recursos para as despesas do dia a dia (36%), mas o segundo maior motivo dessa procura é limpar o nome (34%). O Amazonas possui 58% da população adulta com dívidas que não consegue pagar. São 2,5 milhões de negativados que fazem do estado o quarto mais “no vermelho” entre todos do Brasil.

“A gente vê aí uma possibilidade de ajudar com uma renda a mais para que essas pessoas busquem oportunidades através de programas de renegociação e que elas consigam ter um respiro financeiro que gere um impacto o ano todo”, explicou Aline. 

Organização financeira para curtir o evento sem prejuízos

O estudo também aponta que o planejamento já faz parte da preparação dos participantes para o Festival: 85% afirmam se organizar financeiramente com antecedência, principalmente reduzindo gastos do dia a dia (41%), diminuindo despesas com outros eventos (40%) e buscando formas complementares de renda (37%).

Ainda assim, os desafios financeiros permanecem. Segundo a pesquisa, 77% já deixaram de participar ou reduziram o tempo de permanência no Festival por questões econômicas. Além disso, 49% afirmam já ter contraído dívidas em eventos como Parintins, enquanto 40% pretendem utilizar o limite do cartão de crédito durante a festa e 22% consideram contratar empréstimos pessoais.

“A experiência cultural é extremamente importante e faz parte da identidade regional, mas é essencial que o consumidor encontre equilíbrio entre lazer e orçamento. O planejamento antecipado ajuda a evitar decisões impulsivas, especialmente em períodos de maior consumo e forte apelo emocional, como grandes festivais”, complementa Aline Vieira.

Entre os participantes, 45% pretendem gastar acima de R$ 1 mil durante o Festival. Os principais gastos devem ser com alimentação e bebidas (34%), atrações turísticas (17%), hospedagem (14%) e transporte (10%). Na hora do pagamento, o Pix lidera como principal meio utilizado (32%), seguido do cartão de crédito parcelado (28%).

Metodologia

Pesquisa realizada pelo Instituto Opinion Box, com coleta entre 31 de março e 21 de abril de 2026, ouvindo 943 entrevistados. A margem de erro é de 3,2 pontos percentuais.
Para conferir o estudo completo, acesse o site.

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