Para quem quer entender como esses programas funcionam e como se defender, o Melhores Antivírus compara opções de proteção para celular e computador e ajuda a separar o que protege de verdade do que é só propaganda.
(Foto: Divulgação)
A bateria acabou antes do almoço, o aparelho está quente dentro do bolso e, de repente, o banco avisa que um Pix saiu da sua conta. Você não fez nada. Pode ser um erro, mas também pode ser o sinal de que alguém está mexendo no seu celular sem você perceber.
O Pix mudou a forma como as pessoas pagam e recebem dinheiro, e os golpistas perceberam isso muito rápido. A transferência cai em segundos, a qualquer hora, inclusive de madrugada e no feriado. Depois que o dinheiro sai, trazer de volta é difícil. O Banco Central mantém um mecanismo de devolução para casos de fraude, o MED, mas ele não garante que o valor volte inteiro, nem que volte rápido.
Boa parte dos golpes nem precisa invadir o aparelho: o criminoso convence a vítima a fazer o Pix com a própria mão. Outra parte, porém, depende de um programa malicioso instalado no celular, de um acesso remoto liberado por engano ou de um chip clonado. Para quem quer entender como esses programas funcionam e como se defender, o Melhores Antivírus compara opções de proteção para celular e computador e ajuda a separar o que protege de verdade do que é só propaganda.
Abaixo estão sete sinais que merecem atenção. Um deles sozinho nem sempre significa invasão. Dois ou três juntos já pedem uma checagem séria.
Todo celular perde fôlego com o tempo, e bateria velha é a explicação mais comum. Mas existe uma diferença entre um aparelho que dura menos e um aparelho que esquenta em cima da mesa, com a tela apagada, e perde 30% de carga em poucas horas.
Programas espiões trabalham escondidos. Eles gravam tela, copiam mensagens e mandam tudo para um servidor distante. Isso gasta energia o tempo todo, mesmo quando você não está usando o celular. Se a queda de bateria apareceu de uma hora para outra, logo depois de você instalar algo novo ou clicar em um link estranho, desconfie.
Nas configurações do Android e do iPhone dá para ver quais aplicativos mais consomem bateria. Se um nome que você não reconhece aparece no topo da lista, anote.
O plano de dados acabou no dia 12 e você não mudou nada na sua rotina? Aplicativos maliciosos precisam enviar o que capturam, e esse envio usa internet. Fotos, áudios e registros do que você digita viajam pela rede sem avisar.
Compare o consumo dos últimos meses. Alguns aplicativos legítimos, como vídeo e mapas, gastam muito dado, então a conta precisa fechar. Um app de lanterna ou de calculadora que consumiu centenas de megas é bandeira vermelha.
Abra a lista completa de aplicativos e role devagar. Procure nomes genéricos como "Serviço do sistema", "Atualização" ou "Configurações" com um ícone esquisito, ou programas que você jamais baixou.
Um caso comum: a pessoa recebe uma ligação de um suposto atendente do banco, que pede para ela "instalar um aplicativo de segurança". O app é, na verdade, uma ferramenta de acesso remoto. Com ele, o golpista vê a tela, lê códigos e abre o aplicativo do banco como se estivesse com o aparelho na mão.
No Android, o risco aumenta quando o celular aceita instalar programas fora da loja oficial. Se essa opção foi ligada e você não lembra de ter feito isso, a situação merece atenção.
Chegou um SMS com código de verificação do banco, do WhatsApp ou do e-mail, sem que você estivesse tentando entrar em nada? Alguém pode estar tentando acessar suas contas, e o código é a última barreira. Nunca passe esse número para ninguém, nem para quem diz ser do suporte.
Preste atenção também em e-mails dizendo que sua senha mudou ou que um novo aparelho entrou na conta. Se aparecer algo assim e a mudança não foi sua, troque as senhas a partir de outro aparelho de confiança.
A tela acende sozinha. Um aplicativo abre e fecha sem você tocar em nada. O teclado digita letras que você não apertou. Parece cena de filme, mas é um dos sinais mais claros de controle remoto.
Alguns aplicativos de acesso remoto mostram um aviso discreto na barra superior, como um ícone de gravação ou de compartilhamento de tela. Se ele aparece e você não iniciou nada, desconecte da internet na hora (modo avião resolve) e siga para a parte de resposta mais abaixo.
Outro ponto de olho: a permissão de acessibilidade. Ela existe para ajudar pessoas com deficiência, mas muito programa malicioso a pede para ler a tela e clicar por você. Se um aplicativo desconhecido está com essa permissão ligada, desligue e remova o app.
Um amigo pergunta por que você pediu dinheiro emprestado por mensagem. Um parente recebe um link estranho vindo do seu número. Quando isso acontece, a conta de WhatsApp pode ter sido clonada ou o aparelho pode estar sob controle de outra pessoa.
O golpe do "oi, mudei de número" e o do pedido de Pix emergencial costumam começar assim. Como a mensagem vem de alguém conhecido, o destinatário confia e paga sem pensar.
Avise seus contatos pelos canais que ainda estão sob seu controle, como uma ligação comum. Peça que ninguém faça Pix para pedidos feitos pelo seu número até você resolver.
Esse sinal tem duas faces, e as duas são sérias.
A primeira: o celular perde o sinal da operadora sem motivo, mesmo num lugar onde sempre pegou bem. Isso pode indicar que alguém conseguiu transferir seu número para outro chip, golpe chamado de troca de SIM. Com o seu número em mãos, o criminoso recebe os SMS e pode tentar recuperar contas.
A segunda: o aplicativo do banco mostra transferências, limites alterados ou cadastros de chave Pix que você não reconhece. Aqui o problema já aconteceu, e o tempo conta. Ligue para o banco pelo número que está no cartão ou no site oficial, nunca por um número que chegou por mensagem.
Calma ajuda, mas pressa também. A ordem abaixo costuma funcionar:
Se a operadora estiver envolvida, como no caso da troca de chip, ligue também para ela e peça bloqueio da linha e emissão de um novo chip.
Nenhuma regra elimina o perigo, mas alguns hábitos tiram a maior parte das portas abertas.
Instale aplicativos só pelas lojas oficiais, Google Play e App Store, e confira o nome do desenvolvedor. Aplicativos falsos de banco e de "cashback" existem aos montes.
Desconfie de pressa. Golpista quase sempre cria urgência: "sua conta será bloqueada em 10 minutos", "você ganhou um prêmio, confirme agora". Quando a mensagem aperta, é hora de parar e conferir pelo canal oficial.
Mantenha o sistema do celular atualizado. As atualizações corrigem falhas que programas maliciosos usam para entrar.
Use bloqueio de tela forte e ative a autenticação em duas etapas, de preferência por aplicativo autenticador, e não por SMS. Se alguém clonar seu chip, o SMS deixa de ser um escudo.
Defina limites menores para Pix noturno e para valores altos no aplicativo do banco. Se alguém invadir a conta, o estrago fica menor.
E nunca, em nenhuma circunstância, instale um aplicativo a pedido de alguém que ligou para você. Banco de verdade não faz isso.
Um antivírus no celular resolve tudo? Não resolve tudo, mas ajuda a detectar aplicativos maliciosos e links perigosos antes do estrago. Ele não corrige o erro de quem digita a senha numa página falsa ou entrega um código por conversa.
iPhone é imune? Não. O sistema da Apple é mais fechado, o que dificulta algumas invasões, mas golpes por engenharia social, links falsos e roubo de conta funcionam em qualquer aparelho.
Dá para saber se estou sendo espionado só olhando o celular? Nem sempre. Os sinais acima são pistas, não provas. Se a dúvida persistir, um profissional de assistência técnica ou o suporte do fabricante pode olhar o aparelho.
Se dois ou mais desses sinais aparecem juntos, trate como invasão até prova em contrário: corte a internet, troque as senhas por outro aparelho e fale com o banco. Se nenhum aparece, vale usar o susto como pretexto para revisar os aplicativos instalados, as permissões e os limites do Pix hoje mesmo, antes que o aviso do banco chegue de verdade.