Articulação

Amazonas pede reforço a São Paulo para combater queimadas; 30 agentes serão enviados

Governo paulista confirmou envio de bombeiros, agentes da Defesa Civil e equipamentos para auxiliar no combate aos incêndios florestais no estado

Waldick Júnior
11/10/2026 às 14:37.
Atualizado em 11/10/2026 às 14:37

Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo e Coronel Orleilso Muniz, comandante do Corpo de Bombeiros do Amazonas (Fotos: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP e Arquivo/AC)

O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) pediu socorro ao estado de São Paulo, do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), para combater as queimadas que atingem a região amazônica. O ofício é assinado pelo comandante da corporação, Coronel Orleilso Muniz, que dias antes negou a intermediação do governo federal para obter ajuda de bombeiros de outros estados.

De acordo com o pedido, obtido com exclusividade por A CRÍTICA, o Amazonas solicita 25 bombeiros militares, 5 agentes da Defesa Civil, 11 mil litros de retardante (substância usada contra incêndios), 2 drones, 4 cisternas e 30 conjuntos de Equipamento de Proteção Individual (EPI).

Air Tractors decolam da base aérea para iniciar operações

O ofício foi enviado ao secretário chefe da Casa Militar e Coordenador Estadual de Proteção e Defesa Civil de São Paulo, coronel Rinaldo de Araújo Monteiro. O apoio solicitado inclui autonomia operacional pelo prazo de 30 dias, com possibilidade de prorrogação mediante avaliação entre o Corpo de Bombeiros do Amazonas e a pasta de São Paulo.

No início da tarde deste domingo (11), a Defesa Civil de São Paulo confirmou o envio do reforço solicitado pelo Amazonas, incluindo EPIs, drones e retardantes para o combate às chamas.

“O governo de São Paulo está enviando uma força-tarefa em apoio ao governo do Amazonas para os combates de incêndio em vegetação. Estamos indo em 30 homens especializados em combate a incêndios, sendo 25 do Corpo de Bombeiros e 5 da Defesa Civil”, anunciou a gestão Tarcísio em vídeo nas redes sociais.

Após negar ajuda

O pedido dos Bombeiros do Amazonas ocorre após a corporação negar, no dia 25 de setembro, apoio do projeto Resposta em Ações Integradas para Atuação em Situações de Desastres (Respad), do governo federal, como reportou A CRÍTICA. O programa promove o intercâmbio de bombeiros de outros estados para ajudar no combate a ocorrências, incluindo queimadas.

Autoridades embarcam em helicópteros do ibama para sobrevoo de mapeamento das áreas afetadas pelos incêndios.

Em nota divulgada no sábado (10), o Corpo de Bombeiros do Amazonas confirmou que, durante reunião realizada em 25 de setembro entre o coronel Orleilso Muniz e representantes do governo Lula, o estado informou que o envio de efetivo pelo Plano Respad “poderia contribuir com as operações, mas ressaltou que a principal necessidade era o reforço aéreo”. Em seguida, o Amazonas dispensou a ajuda para receber os agentes.

A mesma nota dos bombeiros reconhece que o Respad prevê a mobilização de bombeiros militares de outros estados, “condicionada à disponibilidade e à autorização dos respectivos governos estaduais, não se tratando de um recurso disponibilizado diretamente pela União”.

A reportagem procurou o CBMAM e o coronel Orleilso Muniz para questionar se o pedido de ajuda enviado ao governo de São Paulo está ligado a uma nova solicitação pelo Respad ou se o Amazonas optou agora por um contato direto com o governo paulista. Ainda aguardamos retorno.

Suporte federal

O governo federal reconheceu a situação de emergência decretada pelo Amazonas em 36 municípios atingidos pelos incêndios florestais. O anúncio foi feito na noite de sábado, durante reunião na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), em Manaus.

(Foto: Jorge Alberto/A CRÍTICA)

Segundo o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, o reconhecimento permite que órgãos federais mobilizem medidas de resposta conforme as necessidades identificadas no estado. Entre as possibilidades está a assistência humanitária às comunidades afetadas.

Durante o encontro, o governo federal informou que a operação de combate aos incêndios prevê 11 aeronaves. Quatro aviões Air Tractor e dois helicópteros já haviam chegado a Manaus até a noite de sábado. Outros equipamentos, incluindo dois aviões KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), têm chegada prevista para este domingo (11).

A operação também conta com quase 300 brigadistas federais, que atuarão em conjunto com o Corpo de Bombeiros do Amazonas. A distribuição das aeronaves e das equipes será definida conforme a gravidade dos incêndios e as necessidades de cada região.

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